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Archive for maio \24\-03:00 2008

Este é o título da minha coluna de maio na Ciência Hoje Online, disponível em http://cienciahoje.uol.com.br/120379 . Veja o parágrafo inicial e a conclusão da coluna.

Na coluna de março, falei sobre o uso de relógios atômicos no sistema de posicionamento global (GPS, na sigla em inglês). Concluí a coluna dizendo que, sem o relógio atômico, esse sistema seria inviável. Mas o que seria do GPS sem a relatividade? Por causa das correções resultantes das teorias da relatividade restrita e geral, a precisão do sistema encontra-se entre 5 e 10 metros. Se essas correções não fossem aplicadas, o erro de localização seria superior a 11 quilômetros por dia! Vejamos em detalhes como é essa história.

Para concluir, vale mencionar uma aplicação bastante engenhosa elaborada pelo Inpe em colaboração com as Universidades de Washington e de Utah, ambas nos EUA. Trata-se de um estudo sobre relâmpagos em São Paulo (clique aqui para saber mais sobre o assunto). Graças à utilização de um receptor GPS, medidas de campo elétrico com alta resolução temporal sugerem que esses campos podem ser muito maiores durante fortes tempestades do que se previa anteriormente.

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Este é o título da minha coluna de maio na Ciência Hoje Online, disponível em http://cienciahoje.uol.com.br/120379 . Veja o parágrafo inicial e a conclusão da coluna.

Na coluna de março, falei sobre o uso de relógios atômicos no sistema de posicionamento global (GPS, na sigla em inglês). Concluí a coluna dizendo que, sem o relógio atômico, esse sistema seria inviável. Mas o que seria do GPS sem a relatividade? Por causa das correções resultantes das teorias da relatividade restrita e geral, a precisão do sistema encontra-se entre 5 e 10 metros. Se essas correções não fossem aplicadas, o erro de localização seria superior a 11 quilômetros por dia! Vejamos em detalhes como é essa história.

Para concluir, vale mencionar uma aplicação bastante engenhosa elaborada pelo Inpe em colaboração com as Universidades de Washington e de Utah, ambas nos EUA. Trata-se de um estudo sobre relâmpagos em São Paulo (clique aqui para saber mais sobre o assunto). Graças à utilização de um receptor GPS, medidas de campo elétrico com alta resolução temporal sugerem que esses campos podem ser muito maiores durante fortes tempestades do que se previa anteriormente.

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No meu blog no Blogger escrevi um texto desdobrando as discussões que apresentei nos artigos abaixo:

– Zero Hora, 5 de janeiro de 2008: Reflexões que sobram na educação

– Zero Hora, 27 de abril de 2008: O Enem e os cursos de pedagogia

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Se você é estudante universitário, domina o inglês e deseja passar um ano em Londres, talvez esta notícia lhe seja interessante.

A University College London está divulgando a oportunidade de estrangeiros participarem do seu programa de Cidadania Global. Trata-se de um programa multidisciplinar cuja descrição, fornecida pela UCL é basicamente a seguinte:

This multi-faculty undergraduate programme draws on UCL’s prestigious research-based teaching, in areas such as science studies, history, politics, media studies, sociology and geography, to enable students to understand citizenship both as a significant intellectual concern of our time, and as a programme of action that will empower them and make real changes for a better world.

The undergraduates on this programme visit UCL for a year, or part of a year, during which they take courses centred in science and technology studies and develop skills in global citizenship. The programme also includes a selection of courses from UCL’s departments of Politics, Anthropology, History and Geography among others.

Detalhes em http://www.ucl.ac.uk/sts/global-citizen.

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Já estou me preparando para a volta, que terá início no dia 2 de dezembro. Fico abismado com a quantidade de treco que fui juntando nesses quase três meses fora de casa. Quantos quilos de excesso deverei pagar? Não quero nem pensar nisso!

Hoje, primeiro de dezembro, deixo o apartamento de Madame Yvette Saunieres e dormirei na casa de Marc/Huguette Bogé. Jantamos na companhia de Luis e Carla. Catherine apareceu para se despedir. Huguette e Marc, que conhecem e adoram o Brasil, juntamente com a filha, Catherine, são amigos queridíssimos que temos em Grenoble.

Acabei de embarcar minha bagagem no aeroporto Satolas (Lyon). Setenta quilos e muitas complicações, a começar pela inexistência do telex da Varig autorizando os 43 quilos, em virtude de convênio com o CNPq. Discute daqui, discute dali, resolvi embarcar a bagagem até o Charles de Gaulle, ao invés de até o Rio, como pretendia. Paguei 40 quilos de excesso, correspondente ao trecho Lyon-Paris. Embarcar a bagagem direto para o Rio teria a grande vantagem de circular no aeroporto de Paris com as mãos quase livres. Agora, terei que enfrentar o ônibus entre uma plataforma e outra do Charles de Gaulle, com cinco (eu disse, cinco!) volumes: duas malas (enormes), um porta-sobretudo, uma sacola (enorme), uma valise de cabine e uma sacola de mão. Fiquei com a valise de cabine e a sacola de mão, mas na subida do avião tive que deixar a valise de cabine (grande demais para os aviões domésticos) no compartimento especial de bagagem. Recebi de volta, ao lado do avião, em Paris.

Na esteira, ficou faltando a grande sacola (nova, mas muito ordinária) que comprei em Grenoble e que usei para colocar sapatos, roupa suja, e coisas sem grande valor; dezessete quilos de treco velho! Enquanto aguardava, comecei um papo com uma senhora que estava ao lado, uma representante comercial que ia para Buenos Aires, via Rio. Foi a salvação da lavoura . Ficou ali até que eu terminasse de fazer o registro da bagagem extraviada, e depois me ajudou a transportar a bagagem até o guichet da Varig. Com o extravio do sacolão, restaram 53 quilos. Felizmente consegui comprovar que era bolsista do CNPq, tendo portanto, o direito a 43 quilos livres e de pagar apenas a metade do excesso.

Embarque para o Rio na hora prevista, 22h20. Disponho de cinco poltronas “só para mim”, concluí corretamente; logo que a tripulação iniciou o procedimento de decolagem, estendi cobertores em três poltronas e viajei confortavelmente. Nas poltronas da frente, percebo um casal, representante daquela classe de capitão de corveta de araque . Ouço a mulher dizer: “Ah, sempre trago alguma coisinha para beliscar. Não suporto essa comida de avião”. Esse é o tipo de comentário revelador. Ora, o chef do avião não é nenhum Paul Bocuse, mas a comida também não é nenhum pouco igual a um PF de restaurante estudantil. Depois daquele comentário, resolvi dar uma de xereta . Quando o jantar foi servido, não tirei os olhos da dondoca (discretamente!). Não sobrou um grãozinho de ervilha para contar a história. Ela começou pelo pãozinho com manteiga, avançou na salada, devorou o peito de galinha com ervilha, sorveu o refrigerante e degustou a sobremesa! Para quem não suportava comida de avião, isso deve ter sido um sacrifício enorme!

No Galeão, minha bagagem provoca exclamações do tipo “nossa!”. Passo na alfândega e logo me dirijo a um dos funcionários que me pergunta: “Tem algo a declarar?”. “Não, respondo, mas com uma bagagem dessa todo mundo desconfia, de modo que pode abrir”. “Pode passar”, respondeu o simpático policial.

De zero graus para quase quarenta, do vinho para a cerveja, mas, sobretudo, da solidão para o afago da família. Cheguei!

Quatro dias depois chegou, intacta, minha sacola.

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Crônica publicada no jornal Primeira Mão
Ano II, n. 4, 1998

Esta é a continuação da crônica Pequena aventura em Roma. Saí do hotel por volta das nove horas, atravessei a rua e fui tomar café na stazione Termini, a estação central de Roma, de onde partem todos os trens para o interior do país. Fica nas proximidades do Coliseu, não muito afastada do Vaticano. Depois de um saboroso cappuccino, acompanhado de um sanduíche do mais legítimo salame italiano, fui comprar meu biglietto di viaggio Roma-Ancona, com conexão em Falconara.

Logo que entrei no carro para não fumantes, tentei obter algumas informações sobre a viagem. Nas poltronas ao lado, dois casais idosos tentaram, mas não conseguiram se fazer entender. Tudo que entendi, o óbvio, era que Falconara ficava antes de Ancona. Eles diziam, pausadamente:

– Roma-Ancona. Cambiato Falconara.

Nesse momento senta um sujeito na poltrona em frente. Fui logo perguntando:

– Parlez vous Français?

– No

foi a resposta, acompanhada de um leve sorriso. Não desanimei:

– Do you speak English?

– Yes, I do”.

Que bom, pensei, agora saberei tudo sobre a viagem. Imediatamente após esse primeiro contato, o sujeito mexeu na sua mochila, consultou alguns papéis e disse que ia telefonar na plataforma. Largou a mochila na poltrona e falou:

– Voltarei em seguida”.

Fiquei apavorado. Saí do Brasil absolutamente paranóico com os atentados de terroristas islâmicos ocorridos na Europa, principalmente na França, durante aquele ano de 1995. A paranóia se instalou; não pude evitar a dúvida: e se nessa mochila tiver uma bomba? Observei-o enquanto falava no telefone; a paranóia cresceu: e se ele estiver comunicando que fez o “serviço”? Suor frio nas mãos, tensão braba, comecei a imaginar uma estratégia de reação: se naquele momento o trem partisse sem o sujeito, eu já estava pronto para dar o alarme. Relaxei quando o rapaz retornou ao seu lugar. Essa paranóia me acompanhou durante toda a viagem, principalmente na França. Qualquer pessoa com um pacote era “suspeita”. E se tivesse o biótipo argelino, pronto! Ali estaria um potencial terrorista do GIA (Grupo Islâmico Armado).

Desfeito o engano, fiquei sabendo que se tratava de um engenheiro de telecomunicações, com aparente índole pacífica e muito prestativo. Informou que existem many stops no trajeto, mas que não há qualquer cidade importante. Entre as várias cidadezinhas, destacam-se Terni, Spoleto, Foligno e Fabriano, quase todas com estações tipicamente de interior: apenas uma plataforma com cobertura. Descobri, enfim, que se tratava de um verdadeiro pinga-pinga, que leva cinco horas e meia até Falconara. Lá a parada é rápida, “few minutes”, disse-me ele. Pronto, mais um motivo para preocupação. Como eu ia me safar com toda a minha bagagem? Deverei me preparar um pouco antes, pensei. Não, nada de pânico; meu casual companheiro de viagem também descerá em Falconara, e deverá me ajudar. Assim espero! Mais uma vez relaxei e retomamos a conversa.

A certa altura da viagem aparece o fiscal para conferir os bilhetes; descobri que tinha esquecido de convalidar (em Italiano a palavra também é essa) o dito cujo na plataforma da estação. O fiscal disse algo, e o colega traduziu: “ele está perguntando por que você não convalidou o bilhete”. Respondi que tinha esquecido. O fiscal deixou prá lá, mas me repreendeu pelo esquecimento. Se ele não tivesse me liberado, a multa seria de sessenta mil liras (a passagem custou trinta mil liras).

A propósito, duas historinhas recentes sobre isso. Uma aconteceu em Rimini, com uma colega carioca. Do centro da cidade, até o local do congresso, não é muito longe; dá para ir a pé, tranqüilamente, mas ela estava com pressa, e resolveu ir de ônibus. Comprou o bilhete (seis mil liras), mas esqueceu de convalidá-lo. Surpreendida pelo fiscal, ela, que fala Italiano fluentemente, se fez de inocente e danou-se a falar em Inglês, dizendo que não tinha visto a máquina para convalidar o bilhete, etc, etc. Os fiscais, que provavelmente não estavam entendendo nada do que ela falava, começaram a falar “polizia”, “polizia”. Foi aí que ela entendeu que não tinha qualquer chance, e rapidamente começou a perguntar, sempre em Inglês, quanto era a multa. Pagou, sem direito a choro, a bagatela de sessenta mil liras. Ficou brabíssima!

A outra história me foi contada por uma garota (gaúcha) que conheci no Galeão, no dia que estava voltando (3/12/95). Ela fazia uma viagem entre duas cidades italianas; não lembro quais. Quando percebeu que tinha esquecido de convalidar o bilhete, correu para dizer ao fiscal, antes que este iniciasse seu trabalho. Resposta: “como você se declarou culpada, vou cobrar apenas dez mil liras de multa, ao invés dos sessenta mil”.

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Texto revisado em 22 de agosto de 1998

No trem Ravena-Bolonha, procedente de Varsóvia, gente humilde que varou a noite naquelas poltronas de 2a classe. Um forte e insuportável cheiro de urina nos corredores. Com o pensamento viajo para longe; penso em Areia Branca, Natal, Porto Alegre, mas o mal cheiro não arreda o pé. Felizmente o trajeto é curto.

Em população, Bolonha é bem menor do que Natal, mas o maior desenvolvimento econômico é visível. Na estação de trem peguei um ônibus para o aeroporto Marconi, que é bem maior do que o nosso Augusto Severo, mas não tem um relógio para nos orientar, e o bar é menor do que o nosso. Leio, num jornal local (il Resto del Carlino) que Dirceuzinho (ex-ponta direita da seleção brasileira) morreu num desastre automobilístico no Rio. Pela matéria, percebe-se o cartaz que ele tinha por aqui.

Fizemos o trecho Bolonha-Milão num desses aviões pequenos que os europeus costumam usar nasviagens domésticas. Um pouco de balanço, mas nada grave! Milão tem uma população assim como a de Porto Alegre, mas um aeroporto quase igual ao Galeão, com um enorme free shop. Fim de verão, aeroportos abarrotados de gente voltando das férias; vôos atrasados, frio na espinha. Chegar em Lyon tarde da noite, para quem vai para Grenoble é um horror! Não deu outra, o vôo só foi sair depois das 22 horas, chegando em Lyon depois das 23 horas. Quando cheguei na plataforma de ônibus, perdi o último que saía para Grenoble. Um estudante na mesma situação, propôs dividirmos um táxi; quinhentos francos para cada um. Uma nota preta!

No dia seguinte, um domingo, dei uma volta pelo centre ville para matar a saudade: praça Victor Hugo, praça Grenette, rua Félix Poulat, boulevard Gambetta, avenida Alsace-Lorraine, … “Grenoble” que o visitante menos avisado percebe, não é Grenoble; é a região grenobloise, um conjunto com mais de quinze cidades, de tal modo interligadas que mais parecem bairros de Grenoble. Essa região, com uma população da ordem de quinhentos mil habitantes, tem maravilhosos recantos montanhosos e estações de esqui.

Não dá para descrever aqui, com razoável detalhe, toda a região grenoblense, mas talvez seja interessante destacar alguns aspectos histórico-turísticos. Por exemplo, pouca gente sabe que a Revolução Francesa nasceu numa reunião no castelo de Vizille (uma cidadezinha a 15 km de Grenoble), no dia 21 de julho de 1788; portanto, um ano antes da data que se comemora.

Curaro, uma pequena vila gaulesa, transforma-se em Grenoble depois de conquistada pelos romanos, bem antes do nascimento de Cristo. Cidade natal de Stendhal, autor de Le Rouge et le noir, Grenoble é também a cidade por onde passou muita gente importante. Em 1768, Jean-Jacques Rousseau tentou repousar aqui anonimamente, com o pseudônimo de Monsieur Renon, mas foi logo reconhecido, e bem acolhido e paparicado pela população, então mais do que provinciana. Hector Berlioz, na primeira metade do século dezenove, teve aqui uma ardente e não correspondida paixão.

O Vercors, uma bela região montanhosa ao lado de Grenoble, e que teve trágico e importante papel na resistência francesa durante a segunda guerra mundial, é hoje um ponto turístico imperdível, com algumas estações de esqui, várias grutas e verdadeiros túneis naturais, que os franceses chamam de gargantas (gorges). Um passeio, promenade, como dizem os franceses, numa manhã de outono em Villard de Lans, é algo deslumbrante. A primavera tem uma incontestável beleza visual, mas o bem-estar de uma amena manhã outonal é incomparável. Villard de Lans é a capital turística do Vercors.

Nos tempos modernos, Grenoble se destaca pela sua vocação para os empreendimentos tecnológicos. Foi aqui que, na segunda metade do século passado, se descobriu a energia hidroelétrica (houille blanche), e é aqui que acabou de ser construído o sincrotron mais potente do mundo, um monumental equipamento para pesquisas em ciências dos materiais. Depois de Paris, Grenoble é o pólo técnico-científico mais importante da França.

Aproveito a oportunidade de estar em Grenoble para fazer uma visita a Annecy, situada ao norte, nadireção da Suiça. Na verdade, mais próxima de Genebra do que de Grenoble. Já não sei mais quantas vezes visitei essa aprazível cidadezinha. Venho aqui só para perambular pelas suas ruelas e em volta do seu azulado lago. Em companhia de Luis e Carla, um casal de amigos paulistas, festejo meu aniversário neste 7 de outubro, mesmo dia em que os colonos da região comemoram o retour des alpages, uma festa que enche a cidade de visitantes para saborear a comida savoyard, comprar produtos artesanais e assistir às manifestações culturais (canto e dança) desse simpático povo.

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