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Archive for 19 de junho de 2008

Hoje pela manhã, a jornalista Rosane de Oliveira, da Rádio Gaúcha (Porto Alegre), falando sobre uma notícia publicada no Jornal Zero Hora, pronunciou o nome da juíza Regina Co-e-lí. Em seguida, sua colega de programa, Ana Amélia Lemos pronunciou Regina Céli. Tomei um susto quando ouvi a pronúncia da Rosane, pois estou, desde criança, acostumado a ouvir a pronúncia usada por Ana Amélia.

Essa “rateada” da Rosane despertou meu espírito ranzinza em relação aos estrangeirismos. Não estou considerando expressões latinas como tal, tanto que assinaria o texto que o Sebastião Nery publicou no Correio de Sergipe, em 09/04/2005, e que transcrevo abaixo. Estou falando dos estrangeirismos resultantes do quase analfabetismo de muita gente que deveria dominar a língua portuguesa. Às vezes não é analfabetismo, é dominação cultural. No jogo Brasil e Argentina de ontem, o narrador da Rádio Gaúcha, Pedro Ernesto Denardin, se esforçava para usar uma pronúncia que ele imagina ser a correta (talvez seja) para o nome do jogador Javier Zanetti: ZANêTTI. Era ZANêTTI prá cá, ZANêTTI prá lá, mas, quando a guarda lingüística relaxava, lá vinha ele com a pronúncia que os brasileiros costumam usar: ZANéTTI!

Há alguns anos ouvi um Secretário de Estado do Rio Grande do Sul falando sobre as dificuldades do setor calçadista: O problema é o low price shoes chinês.

Até nosso velho e bom futebol de praia, coisa que inventamos, tentaram roubar. Anos atrás, a Globo patrocinava o beach soccer. E o Júnior, cracão da nossa seleção, enchia a boca BEACH SOCCER.

Anos atrás virou moda andar de bicicleta (baique) à noite em Goiânia. Vi uma matéria na TV sobre isso: tratava-se do walking on night!

Ontem vi um grande painel (outdoor) aqui em Porto Alegre com uma propraganda de um tênis para running!

Quanto tempo eu ficaria aqui se quisesse apresentar todas as barbaridades que conheço? Vou parar por aqui.

Não bastasse isso, e talvez tenha tudo a ver com isso, o modo como o jornalismo de hoje em dia anda tratando nossa língua é uma tristeza. Antigamente, muito antigamente, os jornais tinham os revisores. Muitos estudantes universitários ganhavam a vida nessa função. Aos poucos foram desaparecendo, até transformarem-se em objeto de história com a informatização das redações. Com a clássica debilidade no manejo verbal de nossos estudantes universitários de hoje, a coisa está como o diabo gosta. Veja o que saiu na capa de um suplemento do Jornal Zero Hora.

Antes do lexotan, por favor o texto do Sebastião Nery.

LATIM
Como a crase de Ferreira Gullar, também o Latim não foi feito para humilhar ninguém. Dois mil anos depois, é a única língua morta que continua viva, no DNA da maioria das palavras das línguas ocidentais, mesmo não sendo as neo-latinas, como as anglo-saxônicas. E na literatura, na cultura, sobretudo na ciência. É uma língua precisa, matemática, quase sem exceções e irregularidades. Remédio sem nome em latim, não tome que faz mal.
Se a TV ou a imprensa vai citar palavra latina, então que cite certo. Nesses dias papais, muita bobagem foi dita, sobretudo nas TVs. “Regina Coeli” (pronuncia-se Céli) era sempre pronunciada “Co-eli”. O Latim tem algumas palavras com as vogais geminadas, coladas : “ae” é “é” e não “a-e”. “Aedes Egypti”, o mosquito da dengue, pronuncia-se “Édes” e não “A-edes”.
Da mesma forma “Coeli”, que é “Céli” e não Co-eli”. Errado e soa mal.

mailto:sebastiaonery@ig.com.br

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