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Archive for fevereiro \26\UTC 2017

26Fev2017

Já faz um bom tempo que venho pensando sobre isso que é tratado nesse artigo publicado em 22Fev2017, pelo The Atlantic: The Facebook Algorithm Is Watching You (https://www.theatlantic.com/technology/archive/2017/02/the-algorithm-is-watching-you/517440/?utm_source=mitfb).

O Facebook (FB) tem 6 botões, através dos quais manifestamos nosso sentimento em relação a uma postagem: Like, Love, Haha, Wow, Sad, Angry (Gostar, Amar, Riso, Uau, Triste ou Irritado). Quando AMAMOS a foto do bebê de um amigo e nos IRRITAMOS com um artigo sobre a vitória do New England Patriots no Super Bowl, estamos dizendo ao FB que provavelmente somos uma pessoa que amamos bebês e detestamos Tom Brady, o marido de Gisele Bündchen e craque do Patriots. Então, o FB vai nos enviar mais postagens com fotos de bebês e menos postagens sobre futebol americano. Duas etiquetas serão colocadas na nossa bolha: POSTAGENS SOBRE BEBÊS SÃO BEM-VINDAS / POSTAGEM SOBRE FUTEBOL AMERICANO SÃO INDESEJADAS. Ou seja, os amigos que publicam muito sobre futebol americano vão desaparecendo das nossas notificações.

Mesmo com a etiqueta proibitiva, o FB pode de vez em quando nos enviar postagens sobre Tom Brady, só para nos provocar. Em 9Ago2014, The Atlantic publicou uma matéria sobre as tentativas do FB para influenciar emocionalmente seus usuários. Everything We Know About Facebook’s Secret Mood Manipulation Experiment (https://www.theatlantic.com/technology/archive/2014/06/everything-we-know-about-facebooks-secret-mood-manipulation-experiment/373648/).

No fundo, esses botões servem muito mais aos algoritmos do FB, para distribuir anúncios, do que para demonstrar nossos sentimentos aos amigos. É a tecnologia desenvolvida pelo Google. Podemos enganar o FB, clicando botões ao acaso. Benjamin Grosser desenvolveu um algoritmo que faz isso automaticamente (http://bengrosser.com/projects/go-rando/).

Ainda não tinham pensando nessa forma de enganar o FB, mas de vez em quando sou tentado a traçar elementos do perfil de meus amigos no FB. Imagino que a falta de likes diz muito mais sobre uma pessoa do que os likes. Por que fulano clica like quando coloco uma abobrinha na minha LT, e fica mudo quando coloco um posicionamento político? A primeira conclusão é de que a pessoa tem posicionamento político diferente. Esta conclusão estaria correta, se todos os meus amigos recebessem todas as minhas postagens.

Mas, como se vê, a coisa não é assim. É claro que muitos dos meus amigos não recebem minhas postagens políticas por causa da bolha na qual o FB o colocou, e nessa bolha tem uma etiqueta: COMENTÁRIO POLÍTICO DE CAS NÃO ENTRA AQUI. Mas, também não é tão simples assim. Alguns dos meus amigos com posicionamento político radicalmente contrário ao meu recebem minhas postagens. Portanto, não é simples compreender porque Amigo A recebe minhas postagens políticas e Amigo B não as recebe. Mais difícil ainda é saber se Amigo A não se manifestou (comentando ou likando) a respeito de determinada postagem porque simplesmente a despreza ou porque não a recebeu.

Agora, uma coisa parece certa: meus amigos que jamais se manifestaram a respeito de qualquer postagem, não deveriam fazer parte dessa categoria de usuário do FB. Portanto, a partir de hoje farei uma limpa na minha lista de amigos do FB.

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memoriasfacjorneloydesouzaPela gratidão que, como leitor passo a ter pela publicação desse primoroso registro histórico, reverencio solenemente seus organizadores: Geraldo Queiroz, Nicolau Frederico, Rejane Lordão e Tarcísio Gurgel.

Um povo que não conhece a sua história está condenado a repeti-la mais de uma vez. A primeira como tragédia e a segunda como farsa. Alguém já falou algo semelhante? Parece que sim! Nos tempos que correm, Karl Marx continua atualíssimo, e esta obra reflete esta dolorosa atualidade nos conduzindo para os idos anos 60-70, parte de uma trágica realidade que não queremos ver repetida como farsa.

Para além do seu indiscutível valor histórico, esta obra nos encanta pelo aspecto visual, pelo seu maravilhoso projeto gráfico. Os amantes da boa culinária costumam dizer que a degustação começa pela vista e pelo olfato. É também pela vista que um amante do livro começa a se embevecer por uma publicação.

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  A segunda capa com fac-símile de alguns jornais da época, entre os quais apenas a Tribuna do Norte subsiste.
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Essa montagem para a abertura da seção iconográfica
é uma obra de arte.
Veja a singeleza dessa página que separa os textos do livro.
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projgrafico3Esta é a abertura da seção de correspondências, com reprodução de cartas enviadas por Millôr Fernandes, Dailor Varela, Homero de Oliveira, Talvani Guedes, Celso da Silveira, Salomão David Amorim e Gildson Oliveira. Contém também o primeiro manifesto de alunos e professores da Faculdade Eloy de Souza visando sua integração à UFRN.
noscaminhosdahistPágina de abertura da seção Nos Caminhos da História, que contém dois textos. O primeiro, de Geraldo dos Santos Queiroz, Percursos de uma escola pioneira, nos remete, de forma precisa, mais do que à história da Faculdade de Jornalismo Eloy de Souza, ao cenário social dos anos 60. Cenário social, bem entendido, compreende todos os aspectos da urbe potiguar. Da campanha De Pé no Chão Também se Aprende a Ler, às arbitrariedades de um regime militar que se iniciava e que perduraria por mais de duas décadas.
O segundo texto é de Luiz Jorge de Azevedo Lobo, o primeiro diretor da faculdade. Um relato conciso e denso da história do jornalismo nos mostra como as ideias nas grandes metrópoles inspiraram a trajetória inicial da formação de profissionais da comunicação no Rio Grande do Norte.
Para encerrar essa singela homenagem que presto aos organizadores e colaboradores da obra, transcrevo trechos de A Faculdade da Memória, instrutivo texto de Tarcísio Gurgel que subscreveria em qualquer circunstância.
Num país tão alheio à sua própria memória […] é, por certo, digna de louvores a iniciativa de recuperar […] acontecidos de uma experiência didático-pedagógica verdadeiramente extraordinária ocorrida na capital do Rio Grande do Norte nos anos sessenta, início dos setenta do século passado.
Não por mera coincidência, ela surge em plena década de sessenta – nau em que nos tornamos passageiros de uma viagem excitante […]. Tempos da exortação maneiríssima “paz e amor”. Tempos das primeiras conquistas espaciais, dos Beatles, da inaugração de Brasília. Tempos da batida sincopada do violão de João Gilberto, das imagens impressionantes do Cinema Novo e do entusiasmo dos festivais de música. Mas, sobretudo, tempo de acompanhar a campanha que resultou na último grande investimento utópico conquistado pelas armas: a revolução cubana.
[…] mantínhamos nossa convicção de negar as sisudas propostas ditatoriais que, copiando slogans imperialistas, recomendavam que deixássemos o pais. Como deixar o  país, se o amávamos a ponto de alguns de nós até morrerem por ele?
[…] saio das páginas deste livro surgido da iniciativa de Geraldo Queiroz e a ele voltarei certamente muitas vezes mais para reavivar a emoção.
Não poderia encerrar esse texto sem essa encantadora declaração de Tarcísio, confissão de seu desejo de se manter no ritmo da emoção de uma vida dedicada à cultura, ao mesmo tempo em que presta a devida homenagem ao idealizador da obra, Geraldo Queiroz.

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