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Archive for the ‘cineastas’ Category

Depois de uma certa idade, geralmente por volta dos 60 anos, começamos a perceber falhas na memória. A primeira vez que fiquei impressionado, foi quando estava falando sobre Einstein, e esqueci o nome de Lorentz. Quem conhece a biografia de Einstein sabe que é inimaginável alguém esquecer o nome de Lorentz ao falar sobre Einstein. No momento do esquecimento, eu lembrava de tudo sobre Lorentz, só não lembrava do nome.
Na mesma época, comecei a eventualmente esquecer nomes de atores e atrizes. Alguns eu lembrava os filmes em que tinham atuado, via sua fisionomia à minha frente, mas no momento não lembrava o nome. Logo depois o nome vinha.
Hoje, estava zapeando a TV, quando vi na tela de um canal essa cena da fotografia, que logo identifiquei como sendo de MORTE EM VENEZA, um filme que vi no início dos anos 70, com Paulo Fulco, Raimundo Deutsch, Anunciato e não lembro quem mais, no Roxy, em copacabana (veja os detalhes que lembro).
Mas na hora que liguei a TV não lembrei o nome do ator principal (na foto), nem do autor do livro que originou o filme. Lembrei que o ator, um músico, era inspirado em Mahler, e que o enredo tratava de uma atração perturbadora do personagem por um adolescente.
De repente, pensei que o ator fosse Humphrey Bogart, mas o nome do autor do livro não vinha.
Resolvi visitar meu amigo Google, que me informou: o nome do ator que você lembrou foi pura sacanagem da tua memória. Não é Humphrey, é DIRK BOGARDE.
E o autor da novela é . . . pronto acabei de esquecer . . .
Voltei ao Google para anotar aqui: THOMAS MANN.
Depois de 2010 passei a anotar no meu celular as palavras que esqueço com alguma frequência. Por exemplo, na categoria atores e atrizes de cinema já constam:
Juliete Binoche / Audrey Tautoo / Catherine Deneuve / Emmanuele Beart / Isabele Adjani / Fanny Ardant / Marion Cotilard / Isabelle Huppert / Scarlett Johansson / Ricardo Darin

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Texto escrito em 16 de junho de 1998

Estou em meio a uma viagem que teve início em São Paulo, com escalas em Madri e Roma. Em Roma tomei o trem para Rimini , com baldeação em Falconara. Essa parte foi relatada na crônica Pequena aventura em Roma.

www.weather-forecast.com/locationmaps/AnconaFalconaraINT.jpg


Logo depois da chegada em Falconara, por volta das 17 horas, tomei o trem para Rimini, seguindo um trajeto à margem do mar Mediterrâneo (mais precisamente, à margem do mar Adriático), cheio de estações de veraneio. Quando se vê essa região de perto, entende-se claramente porque os europeus ficam loucos pelas praias brasileiras. Foto extraída de http://www.provincia.ancona.it/

A ICAME, International Conference on the Applications of the Mössbauer Effect ( 10 a 16/09/95) foi, do ponto de vista organizacional, um desastre. Não vou discutir aqui o aspecto científico, que foi bastante bom, mas talvez não interesse aos leitores potenciais desses apontamentos. A cidade não tem, aparentemente, um local onde se possa organizar todo o evento. Assim, as conferências são apresentadas no belo Teatro Novelli; às 11 horas e às 17 horas temos intervalos para sucos e cafezinho acompanhados de biscoitos, servidos nos jardins do Grand Hotel, a 200 metros do teatro; os painéis são apresentados em outra dependência do Grand Hotel, entre 14 e 17 horas. O controle dos participantes é extremamente rígido, sendo impossível participar de qualquer evento (conferência, poster ou café) sem a comprovação de que está inscrito no congresso (500 dólares). Nas conferências e no salão dos painés, temos que portar nosso crachá, e para cada cafezinho recebemos um ticket, que devemos entregar a lindas recepcionistas, bem uniformizadas, na entrada do Grand Hotel. Sucos, biscoitos e cafezinho dispostos em duas grandes mesas, com bem uniformizados garçons para servir. Para isso temos que enfrentar uma fila enorme. Tudo muito sofisticado, mas pouco prático. Em Caxambu, onde organizamos um congresso para mais de 1000 pessoas (quase o triplo do que se tem aqui), nunca necessitamos de filas para o cafezinho. Simplesmente colocamos garrafas, copinhos, sucos e biscoitos em mesas próximas aos painéis, e cada um vai se servindo à vontade.

Rimini, a Amarcord de Fellini, é uma conhecida e agradabilíssima estação de veraneio, no mar Adriático, com calçadas no interior de alamedas de plátanos. Com 120 mil habitantes, a cidade me impressionou pelo número de livrarias. A enorme quantidade de bares e restaurantes não surpreende, em se tratando de uma cidade turística. Ficamos (o Lívio e eu) no Hotel Centrale Lido, um simpático 2 estrelas próximo ao Teatro Novelli. Nesses termos, ficamos bem acomodados. Alguns colegas ficaram bem distantes dos locais dos eventos. Nesses dias, um grupo de velhinhos e velhinhas, acompanhados por uma jovem (paramédida?), passam suas férias de verão no hotel. É uma festa isso aqui. Aliás, fizeram uma festa de arromba no último dia das férias, um dia antes da nossa partida. Chegamos ao hotel por volta das 11 horas e o baile corria solto. Nos convidaram e aceitamos tomar um vinho com bolo.

A família Malatesta, que dominou a cidade lá pelos idos do século 13, tinha, entre seus membros, gente que se distinguia pela crueldade, gente do mais refinado trato, e gente que se comportava de um extremo ao outro. Por exemplo, em A Divina Comédia , Dante conta como Gianni Malatesta matou sua esposa Francesca da Rimini e seu irmão Paolo Malatesta. A propósito, Tchaikovski escreveu uma famosa fantasia sinfônica intitulada Francesca da Rimini. Mais tarde, Sigismond Malatesta, que protegia os humanistas e encorajava as artes, mata suas três primeiras mulheres antes de se casar com a amante.

Sexta-feira, 15, dei por encerrada minha participação no congresso, que não tinha nada de interessante programado para esse dia. Logo cedo parti para Ravena, aceitando a sugestão do Lívio, que ama os famosos mosaicos dessa bela cidadezinha.

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