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Archive for the ‘Comes & Bebes’ Category

Durante as décadas e 20 e 30 (séc. XX), a Ribeira era o bairro dos ricos de Natal. O Café Magestic reunia o melhor da sociedade natalense da época e era uma marca registrada do bairro.
Em dado momento o proprietário, preocupado com o crescente número de “fiados”, compartilhou sua preocupação com um amigo, também frequentador do Café – poeta, boêmio, dono de um senso de humor apurado – o qual sugeriu ao amigo que afixasse um cartaz no estabelecimento, que ele teria o maior prazer em redigir o texto.
Sugestão aceita. No dia seguinte lia-se em letras garrafais, logo no salão principal do tradicionalíssimo Café Magestic, esta peça rara da literatura brasileira:
Pra que não haja transtorno
Aqui no meu barracão
Só vendo fiado a corno
Fela da puta e ladrão
Fonte: “A Natal que Eu Vi”, de Lauro Pinto.
PS – Conta-se que o número de “fiados” foi quase a zero.
Para você entender que não era fácil fugir do FIADO, diz Evaldo que SEU PAI FALIU POR SUA CAUSA.
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Estou para fazer uma viagem ao Rio de Janeiro, acompanhando minha mulher. Ela estará ocupada com um congresso e eu dedicado à vagabundagem. Será uma viagem romântica. Visitaremos locais preferidos dos anos 1970: Café Lamas, Restaurante La Mole, La FiorentinaBar Garota de Ipanema, entre outros.

Tem um local que não sei como vamos encontrá-lo. Refiro-me ao Cinema Paissandu, que anda ameaçado de desaparecer do mapa, conforme a matéria “A última sessão do Estação Paissandu”.

Depois esta mensagem, que agora é uma espécie de planejamento, se transformará um relato de viagem.

12/07/2009

Chegamos ontem no Galeão, por volta das 13h30. Pegamos o ônibus da Real Auto ônibus, que nos deixou na esquina da Av. Atlântica com a Sá Ferreira, entre os postos 5 e 6. Bem ali, a 20 metros da esquina estava nosso hotel, o Windsor Martinique. Largamos tudo no Ap. 401 e fomos saborear um medalhão piemontese, com um chopp na temperatura correta e colarinho na medida. Caminhando pela calçada da beira-mar, demos de cara com uma escultura do poeta Carlos Drummond de Andrade, sentado num banco, ao lado de quem todo mundo se senta para fazer suas fotos turísticas (http://www.vidaeobra.com.br/biografias/carlos-drummond-de-andrade-poeta.html).

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aracati_colegiofreiras_03

Estive em Aracati para avaliar a Faculdade do Vale do Jaguaribe, que ocupa espaços alugados no Instituto São José (foto ao lado), e no Instituto Waldemar Falcão (Salesianas). Se não me engano, nesses colégios estudaram várias meninas de Areia Branca nos anos 1960. Tenho certeza que Altair foi uma delas. 

Naquela época não havia ginásio em Areia Branca. Depois do primário, a única alternativa era uma escola técnica de comércio. A solução para os que possuiam recursos financeiros era enviar as crianças para cidades maiores, geralmente Mossoró, Natal, Aracati e Fortaleza. Nas férias todos se encontravam em Areia Branca para contar suas aventuras. Cada um puxando a brasa para o seu assado. Por exemplo, lembro bem que o pessoal que estudava em Aracati contava loas e boas sobre a praia de Majorlândia.

 majorlandia

Foto acima, extraída de http://farm1.static.flickr.com/126/354907188_577aa235d7.jpg

canoaquebrada_long_beach_village1Com a descoberta de Canoa Quebrada, Majorlândia passou a ser uma simples referência geográfica. Conheço Canoa Quebrada de outros carnavais, quando fiquei numa simples e agradável pousada na Broadway (lá vem essa coisa de nomes estrangeiros, argh!). Desta vez fiquei no Long Beach Village (argh!). Não tive tempo de apreciar aquela vista nem de sentir aquela água morninha. http://www.portalcanoaquebrada.com.br/canoa_quebrada_resort_long_beach.htm

À noite fomos saborear uma paella de Barcelona, num restaurante da Broadway, aquela simpática ruazinha, apesar do horroso nome.

canoaquebrada_broadway_noturna

http://www.residenzacanoa.com/fotos/broadway.jpg

Aproveitei uma pequena folga depois do almoço para fotografar alguns locais que pode ter sido frequentado por meninos e meninas de Areia Branca, lá nos idos 1960.

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Capela do Instituto São José um dos colégios de freiras. Algumas das meninas estudaram aqui?

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Entrada principal do Instituto São José.

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E aqui, no Colégio das Salesianas, será que alguma menina de Areia Branca estudou?

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Aqui no Colégio Marista, tenho certeza que vários meninos de Areia Branca estudaram. Imagino eles saindo do internato na tarde de sábado para paquerar na praça em frente. Alguém tem fotos desses locais, tiradas naquela época?

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Dei uma circulada na cidade e fotografei algumas edificações centenárias e interessantes, como uma igreja próximo ao Colégio das Salesiana, o fórum e algumas casas com azulejos.

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Texto revisado em 22 de agosto de 1998

No trem Ravena-Bolonha, procedente de Varsóvia, gente humilde que varou a noite naquelas poltronas de 2a classe. Um forte e insuportável cheiro de urina nos corredores. Com o pensamento viajo para longe; penso em Areia Branca, Natal, Porto Alegre, mas o mal cheiro não arreda o pé. Felizmente o trajeto é curto.

Em população, Bolonha é bem menor do que Natal, mas o maior desenvolvimento econômico é visível. Na estação de trem peguei um ônibus para o aeroporto Marconi, que é bem maior do que o nosso Augusto Severo, mas não tem um relógio para nos orientar, e o bar é menor do que o nosso. Leio, num jornal local (il Resto del Carlino) que Dirceuzinho (ex-ponta direita da seleção brasileira) morreu num desastre automobilístico no Rio. Pela matéria, percebe-se o cartaz que ele tinha por aqui.

Fizemos o trecho Bolonha-Milão num desses aviões pequenos que os europeus costumam usar nas viagens domésticas. Um pouco de balanço, mas nada grave! Milão tem uma população assim como a de Porto Alegre, mas um aeroporto quase igual ao Galeão, com um enorme free shop. Fim de verão, aeroportos abarrotados de gente voltando das férias; vôos atrasados, frio na espinha. Chegar em Lyon tarde da noite, para quem vai para Grenoble é um horror! Não deu outra, o vôo só foi sair depois das 22 horas, chegando em Lyon depois das 23 horas. Quando cheguei na plataforma de ônibus, perdi o último que saía para Grenoble. Um estudante na mesma situação, propôs dividirmos um táxi; quinhentos francos para cada um. Uma nota preta!

No dia seguinte, um domingo, dei uma volta pelo centre ville para matar a saudade: praça Victor Hugo, Praça Grenettepraça Grenette, rua Félix Poulat, boulevard Gambetta, avenida Alsace-Lorraine, … “Grenoble” que o visitante menos avisado percebe, não é Grenoble; é a região grenobloise, um conjunto com mais de quinze cidades, de tal modo interligadas que mais parecem bairros de Grenoble. Essa região, com uma população da ordem de quinhentos mil habitantes, tem maravilhosos recantos montanhosos e estações de esqui.

Não dá para descrever aqui, com razoável detalhe, toda a região grenoblense, mas talvez seja interessante destacar alguns aspectos histórico-turísticos. Por exemplo, pouca gente sabe que a Revolução Francesa nasceu numa reunião no castelo de Vizille (uma cidadezinha a 15 km de Grenoble), no dia 21 de julho de 1788; portanto, um ano antes da data que se comemora.Castelo de Vizille

Curaro, uma pequena vila gaulesa, transforma-se em Grenoble depois de conquistada pelos romanos, bem antes do nascimento de Cristo. Cidade natal de Stendhal, autor de Le Rouge et le noir, Grenoble é também a cidade por onde passou muita gente importante. Em 1768, Jean-Jacques Rousseau tentou repousar aqui anonimamente, com o pseudônimo de Monsieur Renon, mas foi logo reconhecido, e bem acolhido e paparicado pela população, então mais do que provinciana. Hector Berlioz, na primeira metade do século dezenove, teve aqui uma ardente e não correspondida paixão.

O Vercors, uma bela região montanhosa ao lado de Grenoble, e que teve trágico e importante papel na resistência francesa durante a segunda guerra mundial, é hoje um ponto turístico imperdível, com algumas estações de esqui, várias grutas e verdadeiros túneis naturais, que os franceses chamam de gargantas (gorges). garganta bourne, no vercorsUm passeio, promenade, como dizem os franceses, numa manhã de outono em Villard de Lans, é algo deslumbrante. A primavera tem uma incontestável beleza visual, mas o bem-estar de uma amena manhã outonal é incomparável. Villard de Lans é a capital turística do Vercors.

Nos tempos modernos, Grenoble se destaca pela sua vocação para os empreendimentos tecnológicos. Foi aqui que, na segunda metade do século passado, se descobriu a energia hidroelétrica (houille blanche), e é aqui que acabou de ser construído o sincrotron mais potente do mundo, um monumental equipamento para pesquisas em ciências dos materiais. Depois de Paris, Grenoble é o pólo técnico-científico mais importante da França.

Aproveito a oportunidade de estar em Grenoble para fazer uma visita a Annecy, situada ao norte, na direção da Suiça. Na verdade, mais próxima de Genebra do que de Grenoble. Já não sei mais quantas vezes visitei essa aprazível cidadezinha. Venho aqui só para perambular pelas suas ruelas, e em volta do seu azulado lago. Em companhia de Luis e Carla, um casal de amigos paulistas, festejo meu aniversário neste 7 de outubro, mesmo dia em que os colonos da região comemoram o retour des alpages, uma festa que enche a cidade de visitantes para saborear a comida savoyard, comprar produtos artesanais e assistir às manifestações culturais (canto e dança) desse simpático povo.

 

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© 2002 C.A. dos Santos
Texto revisado em dezembro/2002

O texto que se segue foi elaborado a partir de informações prestadas por um freqüentador do bar Brisa do Mar. A seu pedido, permanecerá no anonimato.

Nos anos sessenta, o bar Brisa do Mar era um ponto de encontro do meio intelectual natalense. Entenda-se, para usar uma expressão da época, era o ponto de encontro do underground. Hoje poderia muito bem ser classificado como um bar GLS. Ficava na margem do rio Potengi, na altura da rua João da Mata, próximo à Casa do Estudante, os principais freqüentadores do recinto.

Também ficava perto da Pedra do Rosário, de onde este belo pôr-do-sol foi captado (http://flog.digizap.com.br/flog.php?cod_foto=30558&cod_usuario=579).

Depois trocaram o nome do bar. Passou a chamar-se Brisa del Mare. Já tinha essa bobagem naquela época. Era o início da grande Greenville em que se transformou este país.

Além dessas circunstâncias sociológicas, o bar era famoso pelo
carangueijo no leite de côco
, preparado por Nazareno, a
Madame Satã
potiguar. Como o malandro e homossexual carioca, Nazareno também era um negrão forte, e costumava desafiar machões e valentões, batendo no peito e falando alto:

Sou muito mulher para bater em você.

Certa noite de lua cheia, o bar lotado, a farra corria solta. De repente, falta luz na cidade. Blecaute total. Imediatamente, alguém, com voz de soprano, grita na sua típica afetação:

Atenção, atenção, vamos fazer a chamada: Jane.

– Presente, respondeu outra na mais estridente fanfarra.

Os nomes sucederam-se: Odete, Cristina, Gigliola, Ariene…

A cada nome, um presente ora escandaloso, ora comedido.

A luz chegou e alguém começou a dedilhar malaguenha no seu bem afinado violão. Uma dançarina, com calça Saint-Tropez coladíssima no corpo, ensaia trejeitos castelhanos.

A birita já tinha chegado ao meu limite quando descobri que a linda menina dos meus desejos estava com sua namorada, vigilante namorada, entenda-se.

Notas

Carangueijo no leite de côco: Usualmente, o carangueijo é preparado n’água e sal. Coloca-se o carangueijo vivo na água fervendo e adiciona-se sal. Quando o carangueijo fica vermelho, está pronto. Parece que Nazareno foi um dos primeiros a preparar o carangueijo com leite de côco. A receita é ótima, e desde então passou a ser muito utilizada. volta.

Madame Satã: João Francisco dos Santos, malandro, preto, pobre e homossexual, transformou-se em personagem folclórica da boêmia carioca na Lapa dos anos trinta. Com o apelido de Madame Satã virou mito de coragem na brigas de rua. volta

Calça Saint Tropez: Foi moda nos anos sessenta. Trata-se de uma calça com o cós bem abaixo do umbigo. Está de volta neste novo século. volta

Birita: Bebida. volta

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© 2002 C.A. dos Santos
Texto revisado em dezembro/2002

O texto aqui apresentado é inspirado no extraordinário livro de José Alexandre Garcia, Acontecências e tipos da Confeitaria Delícia (Clima, 1987).

Em 1942, o chileno Jacob Lamas e seu cunhado italiano, Amadeu Grandi fundaram a Confeitaria. O potencial econômico ficou logo evidente, mas a administração do empreendimento era um problema para o representante comercial Jacob e para o alfaiate Amadeu. Estava claro que a confeitaria não podia ocupar o lugar dos ofícios primários dos proprietários. Resolveram vender, enquanto estava no auge.

Sinval Duarte Pereira, filho de Ismael Pereira adquiriu o estabelecimento e convidou o português Olívio Domingues da Silva para gerenciá-lo. Para Olívio a atividade comercial era inata. O freguês entrava para comprar uma caixinha de fósforo e saía com uma caixa de vinho. Logo a Confeitaria ganhou um reservado para funcionamento de um bar.

Em 1948, Olívio adquiriu o estabelecimento por Cento e vinte mil cruzeiros, uma fortuna! A transação foi acompanhada de fatos cheios de ternura e confiança na honestidade de Olívio. Sinval exigia sessenta mil cruzeiros no ato e sessenta mil em promissórias. As economias de toda a vida não davam ao português mais do que quarenta mil. O patrício Manoel Gonçalves Ribeiro entregou, espontaneamente, os vinte mil cruzeiros para a entrada.

Você começa a me pagar quando começar a ganhar dinheiro, disse antes de ouvir os enternecidos agradecimentos do conterrâneo pobre.

Olívia desejava que Oswaldo Medeiros fosse um dos seus avalistas, mas não tinha coragem para fazer a abordagem. Vejamos, nas palavras de José Alexandre, como isso se sucedeu.

Oswaldo raramente aparecia na Delícia e quando o fazia era às pressas, só comprava à vista, só pagava à vista, negócio com ele era como Cancão dizia “em cima do pára-lama, pei e pou”. Comprou, pagou. Ainda por cima, era meio caladão, sem muitas intimidades, fidalgo, passara anos estudando na França.

Um belo começo de tarde, inopinadamente, entra Oswaldo no bar. Uma forte azia complicava-lhe a digestão. Pediu um bitter.

Olívio fez das tripas coração. Falou.

O filho de Aureliano não disse palavra. Sentou-se no birô do dono, cavalgou os óculos no nariz e comandou.

-Traga as promissórias.

Olívio ainda duvidava.

-O sr. vai assinar todas, “seu” Oswaldo?

Oswaldo, de Parker 51 em punho, balançou a cabeça afirmativamente.

-Olívio, se num mês, você não tiver o dinheiro todo, me procure que eu completo.

Grossas lágrimas desceram pelo rosto do portuga.

Finalmente era dono e senhor da Confeitaria Delícia.

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© 2002 C.A. dos Santos
Texto revisado em novembro/2002

Em cada esquina um poeta, em cada beco um jornal. Assim é Natal, boêmia e cheia de bares, com poetas e escritores a dar com pau. Fui buscar na literatura referências a antigos bares natalenses. Garimpei o material relacionado abaixo.

Apesar de tantos bares e botecos, apenas a Confeitaria Delícia teve a primazia de ser imortalizada numa obra exclusiva. Trata-se do magnífico livro de José Alexandre Garcia, Acontecências e tipos da Confeitaria Delícia, ao qual dedicarei uma crônica exclusiva, a ser publicada aqui neste blog.

A vida boêmia ocupa boa parte da obra de Diógenes da Cunha Lima (Natal. Biografia de uma cidade), mas ele pouco menciona os nomes dos bares. Quando fala de Albimar Marinho, é um bar atrás do outro. Quando fala de Berilo Wanderley, menciona o bar do Nemésio, mas não diz como se chamava. Não seria Granada Bar?. Alguém pode me confirmar?

Diógenes também fala do Bar da Tripa, e conta uma história muito engraçada envolvendo Zé Areia, barbeiro, boêmio, humorista nato, improvisador, satírico e epigramista. Era assim que Diógenes via Zé Areia. A propósito, José Alexandre Garcia fala bastante de Zé Areia, principalmente das suas estripulias na Confeitaria Delícia.

Vingt-un Rosado, com a sua insuperável visão editorial, publicou um pequeno trecho do diário de viagem do americano John dos Passos, quando este visitou o Rio Grande do Norte, lá pelos idos de 1962. Quando descreve sua chegada em Natal, ele diz: Descemos no hotel no centro da cidade. Consegue-se no bar um gim tônico [sic] pouco convidativo, mas não há sanduíches. Algumas pessoas de aspecto desanimador transpiram na entrada do hotel. Não almoçamos. São três da tarde e estamos famintos. Mas só conseguimos para comer algumas fatias de queijo seco. Sem pão.

Pela descrição, suponho que John dos Passos esteja se referindo ao Grande Hotel, que era, à época, o melhor hotel de Natal, mas estava localizado na ribeira, e não no centro da cidade.

Boêmio por natureza, Augusto Severo Neto (ASN) refere-se a vários bares no seu agradabilíssimo Ontem vestido de menino. Situado na Tavares de Lyra, o Cova de Onça era um bar parecido com os aristocráticos bares portugueses do Rossio. Durante os anos vinte, trinta e quarenta servia cafezinhos, vermute, cinzano, quinado Constatinno, conhaque Macieira, tudo isso acompanhado de azeitonas e queijo do reino. Entre petiscos, aperitivos e muita conversa política, ficou o dito popular: conversa fiada foi o que fechou o Cova da Onça.

O Café Magestic, ficava em frente ao Royal Cinema, bem ali na esquina da Ulisses Caldas com a Vigário Bartolomeu. Quando ASN o conheceu já dava ares de decadência: Semi-pardieiro de água-e-meia, teto metade forrado com tábua de forro de pinho-de-Riga, metade de telha vã, com muita teia, caibros redondos, viga e tesouras descobertas. Deve ter tido melhor vida, senão não teria o lugar que tem no nosso imaginário. Quem conta sua história detalhadamente é João Amorim Guimarães em Natal do meu tempo. João Amorim nos informa que no local do Magestic existia, no início do século XX, o Café Potiguarânia.

Augusto Severo Neto também escreve sobre o bar do Hotel Internacional, o Wonder Bar, o OK Bar e o Zepelim, dos quais me ocuparei em crônicas futuras.

Falando sobre Os americanos em Natal, Lenine Pinto refere-se ao Café O Grande Ponto, no centro da cidade, e ao bar do Grande Hotel, na Ribeira, aquele mesmo que deve sido visitado por John dos Passos. Nesta foto (extraída de http://grandeponto.blogspot.com/), o Café o Grande Ponto é o primeiro prédio à esquerda.

O Café São Luís, de tantas histórias, é mencionado por Jeanne Fonseca quando descreve o Grande Ponto.

Em O menino e seu pai caçador, Berilo Wanderley faz um comovente obituário do Bar e Confeitaria Cisne e uma elegia em prosa para o Restaurante Pérola e para o Bar do Nasi, ambos no famoso Beco da Lama.

Bibliografia

GARCIA, J.A. Acontecências e tipos da Confeitaria Delícia Natal: Clima, 1987.
GUIMARÃES, J.A. Natal do meu tempo. Natal: Fundação Hélio Galvão, 1999.
LEIROS, J. Relembranças. Natal: Nossa Editora, 1985.
LIMA, D.C. Natal. Biografia de uma cidade. Rio de Janeiro: Lidador, 1999.
NESI, J.F.L. Caminhos de Natal. Natal: Gráfica Diplomata, 2002.
PINTO, L. Os americanos em Natal. Natal: Sebo Vermelho, 2000.
ROSADO, V. John dos Passos no Rio Grande do Norte. Natal: Gráfica Diplomata, 2002.
SEVERO NETO, A. Ontem vestido de menino. Natal: Nossa Editora, 1985.
WANDERLEY, B. O menino e seu pai caçador. Natal: Clima, 1980.

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