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Archive for the ‘escritores’ Category

Filmes baseados em “fatos reais” ou adaptações de obras literárias estão sempre sujeitos aos critérios sensacionalistas de seus produtores. O exemplo recente é a série Gênios, da BBC, sobre Einstein. Uma infâmia à historiografia.
Ontem assisti o filme O homem que viu o infinito, uma espécie de biografia do matemático indiano Ramanujan. Confesso minha total ignorância em relação à biografia de Ramanujan, de modo que não posso avaliar sua fidedignidade histórica. Nem sabia que Godfrey Harold Hardy tinha sido seu mentor. Aliás, minha ignorância a respeito da história da matemática é abissal.


Durante o filme lembrei de um livro de Hardy, que li há muito tempo. Fui na estante com livros de matemática, cálculos, jogos, etc, menos livros de história, e retirei o livrinho publicado pela Martins Fontes em 2000, que eu li em 2008, intitulado EM DEFESA DE UM MATEMÁTICO.
A introdução do livro, que ocupa quase a metade da obra, foi escrita por Charles Percy Snow, e parece ter sido escrita para ser o roteiro do filme. BRAVO!

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Nos vários ramos das ciências da natureza, cientistas utilizam estratégias reducionistas para aprofundar seus estudos. Fazem aproximações, descartando ou minimizando aspectos complicados, bem como aspectos comuns a todos os fenômenos relacionados. Ocupam-se prioritariamente de aspectos que diferenciam os vários fenômenos de determinada área. Esse tipo de estratégia economiza tempo e possibilita agilidade na busca de soluções. Dado o atual cenário da política brasileira, de conhecimento de todos que militam na área e de cientistas e estudiosos da ciência política, mas agora evidenciado para toda a sociedade pela operação lava jato, chegamos a um evidente impasse. Como está implícito na frase anterior, impasse há muito previsto pelos atores e estudiosos da cena política brasileira. Não se governa no Brasil sem chafurdar nos esgotos da corrupção. Pode-se até fazer política sem sujar as mãos, mas quem assim o faz, e eu conheço alguns políticos que assim procedem, não chega a ter êxito prolongado em cargos executivos.

O impasse atual vem do financiamento das campanhas eleitorais, que coloca na vala comum recursos limpos e recursos fraudulentos. Política, como se dizia antigamente, tem que ser feita no GOGÓ. É no discurso que o político deve convencer a comunidade do valor de seus ideais. Uma campanha eleitoral não deveria ser ofertada como se oferta um produto de beleza. Essa é uma questão ampla e complexa que não pode ser continuada aqui, porque fugiríamos do propósito inicial do artigo.

Afinal, qual é o impasse? O impasse é que, salvo os pequenos partidos de esquerda, sobretudo PSOL e PSTU, todos os outros estão, em menor ou maior grau, atolados nesse mar de lama da corrupção que veio à tona pela lava jato. O quê fazer? Prender todos os envolvidos? De onde sairão os novos ocupantes de cargos legislativos e executivos? Porque é disso que se trata neste momento. Se fizermos tábula rasa de nosso cenário político, não sobra um para contar a história. Pequenos exageros à parte, em função das exceções supra mencionadas, essa é a realidade.

Se juiz fosse, envolvido com este imbróglio, proporia o mecanismo reducionista da ciência. E faço esta sugestão sem qualquer parti pris, apenas obedecendo preceitos da lógica cartesiana. Ou seja, não sei, salvo os casos divulgados pela imprensa, que partidos ou políticos seriam prejudicados.

O mecanismo reducionista que proponho exige uma relativização dos casos de corrupção, uma espécie de categorização, ou como se diz na ciência, uma taxionomia da corrupção política. A expressão é bonita, mas o que está por trás é muito feio. Existem claramente três categorias (o verbo ROUBAR é usado aqui para representar genericamente atos de corrupção. Não se refere necessariamente a um roubo explícito. Pode significar, por exemplo, o pagamento de materiais de propaganda eleitoral em troca de um benefício legislativo, como uma lei que favoreça determinado segmento empresarial):

  1. O político permite que seus aliados roubem para obter maioria nas casas legislativas;
  2. O político rouba para alimentar suas estratégias de propaganda eleitoral;
  3. O político rouba para seu enriquecimento.

A categoria (1) tem duas nuanças. A maioria legislativa pode ser usada para a aprovação de políticas públicas de inclusão social (bolsa família, minha casa minha vida, etc), ou para o benefício do capital (flexibilização das leis trabalhistas, etc). As duas alternativas fazem parte do jogo político, da luta ideológica, é a essência da disputa eleitoral. É a razão da vida civilizada.

A categoria (2) é apenas o desvirtuamento da categoria (1).

O problema ético mais sério e socialmente perverso é o representado pela categoria (3). O político enquadrado nesta categoria não está interessado em beneficiar a sociedade. É para o seu proveito que ele mergulha nos esgotos da corrupção. O mecanismo de salvaguarda mais comum utilizado por esta categoria é a transferência de recursos financeiros para os paraísos fiscais.

Então, fica evidente que se tivermos que punir sem destruir todo o sistema, teremos que concentrar a punição naqueles políticos que mantêm contas secretas no exterior.

Para usar o estilo da suprema corte, finalizo dizendo:

Este é o meu parecer, com a data venia de intelectuais e puristas da ciência política. Sem as devidas citações a Charles Montesquieu, Jean-Jacques Rosseau, John Locke e Adam Smith, fico com a tosca reflexão nascida de minha vivência e simplista intuição.

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James, Rames, Djeimes: JamesRamesDjeimes140703Pub (03.07.2014)

A laureada família Curie: FamiliaCurie140725Pub (25.07.2014)

O paradoxo da esquerda: ParadoxoEsquerda140806Pub (06.08.2014)

Suassuna, Arena e Arina: SuassunaArenaArina140816Pub (16-17.08.2014)

As manias culinárias de Monet: Monet140829Pub (29.08.2014)

A vitória do PT: VitoriaPT141029Pub (29.10.2014)

A sexagenária Feira do Livro de Porto Alegre: FeiraLivroPoA141124Pub (24.11.2014)

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Física de partículas e registros fonográficos: FisicaParticulas130529Pub (29.05.2013)

Olhem a base do iceberg: Iceberg130627Pub (27.06.2013)

Zweig e Einstein (Parte 1): EinsteinZweigP1_130823Pub (23.08.2013)

Zweig e Einstein (Parte 2): EinsteinZweigP2_130830Pub (30.08.0213)

Provence, o berço do vinho francês: VinhosProvence131129Pub (29.11.2013)

 

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Este é o título da minha coluna de dezembro na Ciência Hoje Online. É sobre as partículas Janus, que funcionam como um surfactante. Vem despertando enorme interesse nos últimos anos, mas seus fundamentos experimentais foram descobertos entre 1903 (Walter Ramsden) e 1907 (Spencer Umfreville Pickering), e seus fundamentos teóricos foram apresentados em um artigo que Pieranski publicou em 1980. Visite  http://www.professorcarlos.com/ e veja belas imagens de partículas Janus e outras partículas utilizadas em emulsões Pickering.

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Maurício Tragtenberg: Militância e Pedagogia Libertária
Ijuí: Editora Unijuí, 2008 (344p.)

Site: http://www.editoraunijui.com.br

Email: editorapedidos@unijui.edu.br

 

 

Na resenha que fez, Paulo Denisar Fraga, professor de Filosofia, Metodologia da Ciência e Pesquisa da Universidade Federal de Alfenas, MG, escreveu:

Este é um livro sobre um intelectual inovador a quem o Brasil ainda deve, mas que o pensamento crítico vem reconhecendo paulatinamente. Um autor que pensou e contribuiu para a educação de modo não-formal, incomum e essencialmente crítico, confiando no papel formador da negação dialética do instituído. Sem se reter aos espaços que tradicionalmente se convencionou delimitar por “acadêmicos”, como Gorki ele considerava as vivências e lutas de sua trajetória como “as minhas universidades”.

Só a personagem retratada já é motivo bastante para ler o livro de Antonio Ozaí da Silva, professor da Universidade Estadual de Maringá, e ex-aluno de doutorado do professor Tragtenberg. O livro também marca os dez anos da morte de Maurício Tragtenberg. Data que também mereceu a lembrança da comunidade acadêmica de São Paulo e do Rio de Janeiro.

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O título não é bom, mas se trata de um lugar-comum que soa bem. O melhor talvez fosse preconceitos de gerações. Eu tive um estudante de mestrado e de doutorado em física na UFRGS, que era muito competente e usava um cabelão enorme. Depois fiquei sabendo que era músico nas horas vagas. Um colega que participou da sua banca de mestrado me confidenciou:

– O Cássio é muito bom, mas ele devia cortar o cabelo. Isso dá uma péssima impressão.

Essa é a questão. A imagem que influencia as avaliações pessoais.faller2 A boa ou má aparência, que “define” o caráter. Essa é uma origem forte do preconceito. Se eu, apressadamente visitasse esse blog, e dali saísse sem nada ler, não esperaria do seu autor um texto como este abaixo, que ele colocou na mensagem sobre o Dagomir Marquezi:

Li hoje a coluna e achei ótima! Além das siglas, ele também mencionou a boa pontuação e acentuação. Espero que influêncie muita gente, até porque, já cansei de ter que lutar para adivinhar o que são afirmativas e o que são interrogativas em conversas na internet.

Vivendo e aprendendo, e quebrando preconceitos.

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