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Archive for the ‘imprensa’ Category

Este é o título de um episódio da série Histórias Extraordinárias, que a RBS TV exibirá em abril (sábados, 12h20min). Trata-se de um episódio baseado em uma história acontecida há aproximadamente 30 anos. Foi na cidade de Antonio Prado (RS), onde um homem (de nome Armindo) sobreviveu a quatro raios, em ocasiões e circunstâncias diferentes. Na época ele tinha 42 anos de idade. O episódio, com roteiro de Cristina Gomes, é dirigido por Boca Migotto.

Fui entrevistado para esclarecer dúvidas sobre as propriedades físicas dos relâmpagos. Antes da entrevista fui informado sobre os fatos apurados pela equipe de produção. O primeiro e mais sério evento ocorreu durante um temporal, quando o Sr. Armindo tentou manipular uma máquina de costura. Tomou um choque e ficou desacordado. Alguns acreditavam que tinha morrido. Alguém lembrou que deveriam enterrar boa parte do seu corpo para descarregar a carga acumulada durante o choque. Como a providência não deu resultado imediato, decidiram que deveriam tirar-lhe a roupa para melhorar o contato com a terra. O homem continuou inerte. Decidiram colocar algumas correntes metálicas nas proximidades do corpo. Finalmente o Sr. Armindo deu sinal de vida. Os outros eventos ocorreram ao ar livre e foram de menor intensidade. Apenas na quarta ocorrência o Sr. Armindo procurou ajuda médica.

O Sr. Armindo acredita que:

  • Depois do primeiro choque ele adquiriu a propriedade de atrair raios, e que esta teria cessado depois que foi medicado.
  • Santa Bárbara realmente protege contra os raios.
  • Cobrir espelhos evita a incidência de raios.

Relâmpagos e trovões assustam, maravilham e desafiam a inteligência humana há milênios. Das crenças dos antigos foram para a mitologia. Quase todas as civilizações têm um deus relacionado com os relâmpagos. A primeira abordagem científica deve-se a Benjamin Franklin, lá por volta dos anos 1750. Duzentos anos depois, por volta de 1960, Richard Feynman, Prêmio Nobel de Física, disse no segundo volume das suas extraordinárias Lições de Física, que pouco era sabido dos detalhes relacionados com os relâmpagos. Tanto tempo desafiando a nossa capacidade intelectual é uma boa medida da complexidade do fenômeno. 

Se entre a comunidade científica a questão da eletricidade atmosférica tem provocado muito debate, geralmente por causa das medidas inconclusivas, são inúmeros os mitos existentes entre a população leiga. A história do Sr. Armindo é um bom exemplo. Acredita-se que a pessoa fica com carga acumulada depois de ser atingido pelo raio. Em primeiro lugar, é necessário precisar a expressão “atingido pelo raio”. O raio pode atingir diretamente a pessoa. Talvez este seja um caso em que a sobrevivência é rara. É provável que a maioria das incidências seja secundária. Os casos do Sr. Armindo são desse tipo. E esses são provavelmente os casos mais frequentes, pois estima-se que menos de 30% das pessoas atingidas por relâmpagos chegam ao óbito.

Esse texto continuará, ou como diria o Anonymous Gourmet: Voltaremos!

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O título não é bom, mas se trata de um lugar-comum que soa bem. O melhor talvez fosse preconceitos de gerações. Eu tive um estudante de mestrado e de doutorado em física na UFRGS, que era muito competente e usava um cabelão enorme. Depois fiquei sabendo que era músico nas horas vagas. Um colega que participou da sua banca de mestrado me confidenciou:

– O Cássio é muito bom, mas ele devia cortar o cabelo. Isso dá uma péssima impressão.

Essa é a questão. A imagem que influencia as avaliações pessoais.faller2 A boa ou má aparência, que “define” o caráter. Essa é uma origem forte do preconceito. Se eu, apressadamente visitasse esse blog, e dali saísse sem nada ler, não esperaria do seu autor um texto como este abaixo, que ele colocou na mensagem sobre o Dagomir Marquezi:

Li hoje a coluna e achei ótima! Além das siglas, ele também mencionou a boa pontuação e acentuação. Espero que influêncie muita gente, até porque, já cansei de ter que lutar para adivinhar o que são afirmativas e o que são interrogativas em conversas na internet.

Vivendo e aprendendo, e quebrando preconceitos.

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O título vai assim mesmo, cacofonia fanqueira da braba. É o espirito da coisa. É sempre assim, a geração da meia-idade se horrorizando com as imbecilidades da geração dos seus filhos e netos. É verdade que as coisas vão evoluindo. Aparece uma apple, um google, a nanotecnologia. E a coisa vai. Isso dá uma enciclopédia, só de resmungos. Não sei, fico confuso, mas que a coisa tá feia, lá isso tá.

Jogos escolares ou estudantis, existem por aí há décadas. Em Natal ainda este ano teve a 38a. edição dos JERNs (Jogos Escolares do Rio Grande do Norte). Aqui em Porto Alegre a Secretaria Municipal de Educação patrocina os Jogos Abertos de Porto Alegre, e assim existem dezenas de exemplos.

Pois não é que uma divindade divina baixou na cabeça do pessoal do Kzuka, um suplemento juvenil do jornal Zero Hora, e eles criaram os School Games? Olha que coisa mais criativa, que nome genial, uma prova da inteligência desse pessoal.

A propósito, folheando a edição de ontem, 7/11/2008, me deparei com as seguintes pérolas (banais nos dias de hoje).

Na coluna BOA DO FÍNDI:

  • Paradise na Praia das GarçasAgora, me respondam o que diabo é um evento chamado PARADISE, ou seria PARADAISE? Não vai demorar muito, a mocinha do balcão vai perguntar: Onde fica sua home? E você vai ficar em dúvida se ela se refere ao local da sua página na internet, ou ao endereço da sua casa. Ou então, no hotel o gerente pergunta: Gostou do nosso breakfast? Yeah! Responde animado o imbecil com o boné da Nike.
  • Festa Halloween no Ginásio Poliplay. Essa idiotice já é clássica

Na coluna POR AÍ:

  • No seu novo single, ela afirma gostar de meninos e meninas. Trata-se de uma nota sobre Preta Gil. Queria saber o que é SINGLE, nesse contexto. E como se pronuncia, SINGLI, SINGOUL OU SINGUEL? Pergunto isso porque me doem os ouvidos quando ouço alguém falar PUDEL para se referir àquele simpático cachorrinho de madame. E são pouquíssimas as pessoas na rua que falam algo parecido com PUDOUL. E la nave va!

Tenho uma teoria conspiratória.

Existem as boas cabeças, que são imunes a tudo que é imbecilidade, incluindo aí nosso sistema escolar. Esses corpinhos que carregam as boas cabeças vão fazer o que fazem (apple, microsoft, google, teoria da relatividade, etc.) qualquer que seja o professor obtuso que encontre pela frente, e vão dominar a geração idiotizada por essas modernidades. Então, essa geléia geral é muito conveniente para eles. E eles tão lá no meio, incentivando a plebe rude (não a banda, apenas os rudes mesmo) a enfiarem a cara no lamaçal da ignorância.

Por via das dúvidas, me dá um prosac, serve também um lexotan. Não tem? Então desliga o tubo!

Post Scriptum: Veja o que saiu em uma capa do Kzuka, De patinho feio à musa. Trata-se de uma matéria sobre a atriz Fernanda Souza, aquela lindinha que trabalha na Globo. 

Será que a nova regra ortográfica vai eliminar a crase? Será a salvação do pessoal do Kzuka.

Ah, ia esquecendo. Se você não tiver acesso ao livro do Paulo Rónai, Não perca o seu Latim, Nova Fronteira, no Google você encontra o significado desta expressão esnobe e fora de moda. Ou, para se igualar à imbecilidade de hoje sendo o imbecil de ontem, post scriptum é uma expressão démodé.

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Faz 32 anos desde a primeira vez que visitei a Feira do Livro de Porto Alegre. Em 1994, quando ela fez 40 anos, eu até escrevi uma crônica. Faz 54 anos que a feira é realizada no mesmo local (praça da Alfândega) e no mesmo período. Inicia na última sexta-feira de outubro e encerra no segundo domingo de novembro. Vou fazer aqui uma retrospectiva fotográfica, com fotos do meu arquivo e deste livro do Paulo Betancur e Joaquim da Fonseca.

Sessão de autógrafos em 1970. Detalhe: não há mesas para os autores apoiarem os ivros. Na foto abaixo, de 1982, a sessão de autógrafos era ar livre, mas com mesa! No primeiro plano, a partir da esquerda: A orelha e o braço esquerdo do Mário Quintana, Bruna Lombardi e Clarisse, que não tava nem aí para os astros citados.

Nos anos 1990 os autógrafos passaram para um pavilhão, mais confortável.
José Antonio Pinheiro Machado (Anonymous Gourmet) autografa livro para o autor do blog.
Em 2003 participei de uma sessão de autógrafo do meu livro O plágio de Einstein, mas não estou achando as fotos desta sessão. Resenhas e outras informações sobre o livro encontram-se neste endereço: http://www.albert.einstein.nom.br/.  No ano mundial da física (2005), participei de uma sessão especial sobre Einstein, com Alfredo Tolmasquim e Cássio Leite Vieira.
Um dos destaques da feira, que já virou folclore, é a cata por raridades nos balaios.
Uma coisa desagradável é que sistematicamente durante a feira cai uma tromba d’água.

Personalidades

Dyonélio Machado Mário Quintana
Moacyr Scliar Ruy Castro e Luis Fernando Veríssimo
Mário Quintana e Carlos Drummond de Andrade, em bronze.

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Com este título, a Agência Fapesp divulgou hoje a existência de um acervo digitalizado do jornal Última Hora, que circulou de 1951 a 1971 sob a direção do jornalista Samuel Weiner, morto em 1980. Este jornal representou um marco na inovação estética e temática para o jornalismo brasileiro. O Arquivo Público do Estado já havia digitalizado todos os exemplares do jornal sob sua guarda, disponíveis para o público no site http://www.amigosdoarquivo.com.br/uhdigital.

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Na minha coluna deste mês, na Ciência Hoje Online, trato dos materiais ferroelétricos e sua utilização na fabricação de memórias não voláteis. O assunto foi veiculado em inúmeros jornais (veja, por exemplo: Jornal da Ciência, Folha Online, G1 da Globo.com), mas o processo tecnológico foi deixado meio de lado. A Fábrica de São Carlos vai integrar memórias ferroelétricas em pastilhas de Si com a lógica pronta. Isto é, a parte de semicondutores será realizada por uma indústria do exterior, mas o valor agregado ao produto final é mais de 10 vezes maior na fábrica de São Carlos do que na indústria que vai fornecer as pastilhas de Si. Uma pastilha de 8 polegadas, com toda a estrutura semicondutora montada nos circuitos integrados, custa aproximadamente 700 dólares. Com a memória ferroelétrica ela passará a custar 10 mil dólares!

Na minha coluna eu mostro como o pessoal da Symetrix dominou este processo tecnológico.

Sob a perspectiva histórica, escrever esta coluna me deu uma enorme alegria. A Symetrix, uma empresa americana, localizada em Colorado Springs, foi fundada por este jovem senhor ao lado, Carlos A. Paz de Araújo. Êpa, não é brasileiro? Sim, brasileiro e natalense, que aos 17 anos foi participar de um programa de intercâmbio cultural nos EUA e por lá ficou. Fomos contemporâneos em Natal, morávamos em ruas próximas, mas não fazíamos parte da mesma turma. De modo que o conhecia de longe. Mas isso não importa. Importa o que ele fez nos EUA.  

Cursou engenharia, entrou para o quadro de professores de engenharia elétrica e computacional da Universidade do Colorado, e transformou-se num dos mais importantes cientistas na área de materiais ferroelétricos. Isso não é força de expressão ou ufanismo barato. Quer ver?

Vamos começar por um tipo de reconhecimento da comunidade científica. Visite este endereço do IEEE. Você vai ver que ele ganhou o prêmio Daniel E. Noble de 2006, concedido pelo Institute of Electrical and Electronics Engineers. Veja o que consta na página do prêmio:

The IEEE Daniel E. Noble Award was established by the IEEE Board of Directors in 2000 for outstanding contributions to emerging technologies recognized within recent years. It may be presented annually on the recommendation of the IEEE Technical Field Awards Council and the IEEE Awards Board.  It can be presented to an individual or team of up to three.

The award is named in honor of Dr. Daniel E. Noble, Executive Vice Chairman of the Board emeritus of Motorola. Dr. Noble is significantly known for the design and installation of the nation’s first statewide two-way radio communications system. The system was the first in the world to use FM technology.

Dr. Daniel E. Noble was an IEEE Life Fellow. He was awarded the IEEE Edison Medal in 1978; For leadership and innovation in meeting important public needs, especially in developing mobile communications and solid state electronics.

The IEEE Daniel E. Noble Award was previously named the Morris N. Liebmann Award, which was originally established by the Institute of Radio Engineers in 1919 and then assumed by the IEEE in 1963 when the two organizations merged.

In the evaluation process, the following criteria are considered: emerging technologies recently discovered, invented or recognized technology importance, impact, originality, breadth, significance, and the quality of the nomination.

The award consists of a bronze medal, certificate and honorarium.

E o que fez o dr. Paz de Araújo para receber essa honraria? Parte do que ele fez está no link acima, referente ao anúncio da sua premiação. Se você puder acessar a web of science, e fizer uma busca com a palavra-chave ferroelectric*, vai descobrir que existem 39.422 artigos. Pois nessa vastidão, o trabalho mais citado, com 2.086 citações em 24/10/2008,  conta com a sua participação.

Com a expressão de busca ferroelectric memor*, temos 3.047 artigos. Carlos Paz participa nos dois mais citados, e o terceiro é de uma equipe coreana, mas o material é aquele descoberto por ele.   

Esse número de citações é muito grande. Pouquíssimos cientistas têm trabalho com tanto impacto.

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Faz muito tempo, bem antes da existência desse meio de comunicação, que penso em escrever sobre este tema. Antes não tinha o espaço apropriado, agora, neste momento, estou sem tempo, mas não vou perder a oportunidade de fazer o registro. Depois voltarei ao assunto.

Hoje pela manhã, na Rádio Gaúcha, aqui em Porto Alegre, provocada por André Machado, a respeito do sensacionalismo em torno da morte da menina Eloá Cristina Pimentel, sobretudo o acompanhamento do seu funeral por redes TV em rede nacional.  Ana Amélia Lemos disse, ipsis litteris:

É, isso pode influenciar mentes fracas.

Trata-se de um mea culpa, de uma respeitada jornalista. Sempre achei que o cinema e a imprensa provocam uma espécie de efeito manada no comportamento de amplos setores da sociedade. Antigamente na saída de um ingênuo filme bang-bang, muitos meninos sentiam-se o próprio John Wayne. Hoje, depois de um pulp fiction, parece mais lógico estrangular e beber o sangue do próximo que estiver à nossa frente.

Claro, jornalistas e cineastas, pelo menos publicamente, sempre estiveram contra esta hipótese. Sempre disseram que o que eles fazem é reproduzir as manifestações sociais, e que esta reprodução não tem efeito realimentador.

Teria muito mais a dizer, mas tenho outros afazeres. Como diria o Anonymous Gourmet: voltaremos!

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