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Archive for the ‘Inovação Tecnológica’ Category

Há quem pense em interdisciplinaridade como o espaço onde habita o super sábio, que tudo entende. Provavelmente por causa disso, muitos criticam abordagens pedagógicas ditas interdisciplinares nas ciências da natureza, pela impossibilidade de formar um super professor, que entenda de biologia, física e química. Escrevo isso porque acabo de descobrir um texto que Fernando Cláudio Zawislak (IF-UFRGS) escreveu há mais de 15 anos, baseado em sua apresentação em mesa-redonda durante a 3a. Reunião Especial da SBPC, em Florianópolis, maio de 1996. Antes de destacar alguns trechos, apresento um exemplo. No ensino médio, o professor de física fala em energia potencial gravitacional, energia cinética, energia elétrica, etc. O professor de química fala de energia nas reações químicas, e o professor de biologia fala de transformação de matéria e energia para a manutenção dos sistemas vivos. O que se entende por abordagem interdisciplinar é que em algum momento desse processo, alguém estabeleça uma contextualização para mostrar que em todas essas situações, o conceito de energia é o mesmo.
Vejamos agora o que disse o prof. Fernando Zawislak, há mais de 15 anos (o lapso de tempo certamente exigirá uma relativização no sentido das suas palavras):
– Isto significa que, qualquer que seja o campo interdisciplinar, são indispensáveis cientistas competentes nas disciplinas desta área, com todas as suas inter-relações e interfaces. Nesta perspectiva, é importante ressaltar que a atividade interdisciplinar pode e deve prescindir dos chamados “pesquisadores generalistas de competência universal”, que têm a pretensão d resolver sozinhos projetos interdisciplinares em uma determinada área.
– Especificamente quanto à universidade brasileira, face a sua estrutura rígida, ela definitivamente não está preparada para a interdisciplinaridade.
– Voltando ao exemplo da física, uma possível alternativa seria a de que estudantes de pós-graduação neste campo ampliem sua escolaridade com especialização em paralelo em outras ciências, como Química, Biologia, Geologia, etc.
– Estas considerações mostram que a Universidade tem uma tarefa enorme na entrada do novo século: de um lado continuar a formar pessoas de alto nível em todas as disciplinas e, de outro lado, em paralelo, ampliar a formação de profissionais com maior versatilidade, que tenham mais afinidade com os campos modernos da economia os quais envolvem P&D em áreas completamente interdisciplinares como informática, ciência e engenharia dos materiais, biotecnologia, ecologia, etc.
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A entrevista foi concedida em 2005, por ocasião das comemorações do Ano Internacional da Física.

EntrevistaIHUeinsteinPDF

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Em 11/11/2016, a Câmara Brasileira do Livro divulgou a lista dos ganhadores do Prêmio Jabuti 2016.

Veja os três ganhadores da categoria Ciências da Natureza, Meio Ambiente e Matemática:

http://premiojabuti.com.br/vencedores-2016/ciencias-da-natureza-meio-ambiente-e-matematica-4/

Ganhadores em todas as categorias: http://premiojabuti.com.br/vencedores…/todas-categorias-5/

Informações do livro, extraídas do portal da Editora Livraria da Física:

CapaEnergiaMateriaLivFisica

Preço da tabela: R$ 89,00
Nosso preço: R$ 75,00
ENERGIA E MATÉRIA DA FUNDAMENTAÇÃO CONCEITUAL ÀS APLICAÇÕES TECNOLÓGICAS
CARLOS ALBERTO DOS SANTOS (ORG.)
Quantidade limitada no estoque. Envio imediato.
Editora editora livraria da fisica
Área ENERGIA
Idioma Português
Número de páginas 270
Edição 1A. ED. 2015
ISBN 9788578613280
EAN 9788578613280
O livro reúne conceitos básicos e fundamentais sobre Energia e Matéria, a partir do olhar de físicos, biólogos e químicos. O texto nos mostra como um tema importante e integrador, como o da Energia, pode ser visto como um fio condutor entre diversas ciências; possibilitando, assim, um material de valor inestimável para os professores que desejem orientar uma abordagem interdisciplinar consequente no ensino de Ciência.
Sumário:
1- Fontes de energia e Tecnologias de transformação./ Carlos Alberto dos Santos e Janine Padilha Botton
2- O hidrogênio como Vetor Energético./ Ennio Peres da Silva
3- Da Micro à nanotecnologia/ Carlos Alberto dos Santos
4- A Tabela periódica e a estrutura eletrônica dos elementos químicos./ Carlos Alberto dos Santos
5- Os elementos químicos na organização e na estrutura da vida na Terra./ Maria Elena Infante- Malachias
6- Olhando a tabela Periódica como um Químico Orgânico./ André Amaral Gonçalves Bianco
7- A Origem da Vida – A visão do Biólogo – Nélio bizzo
8- Biologia: O Mundo Microbiano – Issac Roitman
9- A Evolução da Química vista de uma perspectiva brasileira./ Carlos A.L.Filgueiras

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Coluna de março de 2015, na Ciência Hoje Online: Buraco negro, buraco branco e buraco de minhoca

gargantuaBuracoNegro

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Física de partículas e registros fonográficos: FisicaParticulas130529Pub (29.05.2013)

Olhem a base do iceberg: Iceberg130627Pub (27.06.2013)

Zweig e Einstein (Parte 1): EinsteinZweigP1_130823Pub (23.08.2013)

Zweig e Einstein (Parte 2): EinsteinZweigP2_130830Pub (30.08.0213)

Provence, o berço do vinho francês: VinhosProvence131129Pub (29.11.2013)

 

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Acesse a coluna: colunaPub150206

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Provocado por Maria Lúcia Jeunehomme Borges, que me enviou o artigo “Revistas científicas ou túmulos do saber?”, publicado por Alex Moraes no blog “Outras palavras”, resolvi dar meus pitacos nessa polêmica internacional.

Alex Moraes refere-se à avaliação trienal da Capes e ao artigo “How journals like Nature, Cell and Science are damaging science“ publicado pelo Prêmio Nobel de Medicina de 2013, Randy Wayne Schekman, no The Guardian e com o título “Por qué revistas como ‘Nature’, ‘Science’ y ‘Cell’ haven daño a la ciencia” no El País para apresentar os seguintes argumentos, entre outros:

  • O produtivismo está a serviço do epistemicídio porque bloqueia ou dificulta seriamente a emergência de outras formas de construção e enunciação do conhecimento;
  • Nossos prestigiosos programas de pós-graduação mais se assemelham a organismos autistas, imersos em transe profundo, alheios a qualquer preocupação com a importância social do conhecimento científico;
  • Todos os cientistas deveriam atacar o uso das publicações para avaliar os pesquisadores.

Boa parte do que dizem Alex Moraes e Randy Schekman representa um sentimento compartilhado por inúmeros pesquisadores, todavia, apenas uma pequena parte é universal, no sentido que se pode aplicar a todas as áreas do conhecimento. Para quem não conhece, vale a pena dar uma lida em “Para uma sociologia da ciência”, de Pierre Bourdieu. São muitas e enormes as diferenças no exercício profissional de físicos e antropólogos, por exemplo. Transpor práticas de uma para outra comunidade pode ser tão nefasto quanto equivocada é a generalização de interpretações de eventos circunscritos a uma área de conhecimento.

O primeiro argumento de Alex Moraes, listado acima, não tem conexão com a realidade pertinente à física. Uma simples consulta às bases de dados nacionais e internacionais mostra a emergência em profusão de novas formas de construção e enunciação do conhecimento. A diversidade de áreas de conhecimento nas ciências da natureza não foi seriamente afetada pelo que se denomina “ideologia do produtivismo”. Aliás, uma reclamação de Randy Schekman tem a ver com o uso perverso que algumas revistas fazem de alguns estudos especulativos:

A paper can become highly cited because it is good science – or because it is eye-catching, provocative or wrong. Luxury-journal editors know this, so they accept papers that will make waves because they explore sexy subjects or make challenging claims. This influences the science that scientists do. It builds bubbles in fashionable fields where researchers can make the bold claims these journals want, while discouraging other important work, such as replication studies.

Um artigo pode se tornar altamente citado porque aborda boa ciência – ou porque é atraente, provocante ou errado. Editores de revistas de luxo, sabem disso, então eles aceitam artigos que causarão agitação porque exploram assuntos sexy ou levantam questões desafiadoras. Isto influencia a ciência que os cientistas fazem. Isso cria bolhas em campos da moda onde pesquisadores podem fazer as afirmações ousadas que os jornais desejam, enquanto desencorajam outros trabalhos importantes, tais como replicações de estudos.

Portanto, nem a “ideologia produtivista”, no caso das ciências da natureza, necessariamente impede a “emergência de outras formas de construção e enunciação do conhecimento“ nem o incentivo dessas é necessariamente salutar para a evolução do conhecimento científico.

No segundo argumento listado acima, Alex Moraes dá a entender que os programas de pós-graduação não se preocupam com a importância social do conhecimento científico. Mais uma vez, é preciso relativizar essa argumentação. Há linhas de pesquisa nas quais a preocupação com a importância social pode até ser prejudicial para o avanço do conhecimento. O que deve preponderar é a liberdade e a competência para a criação. Para ficar em apenas três áreas de conhecimento conexas e focando em temas emergentes, destaco o estudo de isolantes topológicos, um material cujos fundamentos saíram da matemática, em estudos absolutamente abstratos, sem conexão com qualquer que seja o interesse social, foram adotados por físicos teóricos para estudar um material inexistente e que agora está às portas de se transformar em realidade (http://cienciahoje.uol.com.br/colunas/do-laboratorio-para-a-fabrica/o-estaneno-vem-ai). Isso ocorrendo, poderá resultar na fabricação de dispositivos nanoeletrônicos, uma tarefa majoritariamente desenvolvida por engenheiros, que prioritariamente trabalham com temas de interesse social. Ou seja, um tema que teve início apenas na curiosidade intelectual de matemáticos e físicos, sem compromisso com a realidade social, desemboca na fabricação de produtos tecnológicos. É da compreensão dessa realidade que nasce o “dogma” tão ardorosamente defendido por muitos cientistas naturais: o essencial é fazer ciência de qualidade, independente da sua eventual aplicação tecnológica ou social. Se os matemáticos não tivessem desenvolvido os fundamentos da topologia e os físicos teóricos não tivessem aplicado os mesmos a alguns tipos de materiais, não poderíamos ter os dispositivos eletrônicos desenvolvidos pelos engenheiros. Essa é a cadeia que leva um tema abstrato, sem aplicação à vista, de uma folha cheia de equações a um produto na prateleira de um supermercado.

Finalmente, o terceiro e mais polêmico argumento, que também é apresentado no artigo de Randy Schekman, merece uma consideração relativizadora. É claro que excetuando os proprietários de periódicos científicos, todos estão mais do que felizes com o livre acesso à literatura científica. Contudo, os periódicos de livre acesso não são gratuitos e essa questão do custo terá que ser enfrentada, cedo ou tarde. A questão é complexa e está acima da minha capacidade de reflexão. O que eu quero discutir é o que geralmente está por trás de toda esta polêmica, ou seja a avaliação do trabalho científico.

A exemplo de muitos, o Prêmio Nobel Schekman argumenta como se todos tivessem seu nível de conhecimento da ciência que pratica; como se tivessem a capacidade de analisar corretamente a qualidade da informação contida em artigos científicos. Incontáveis estudantes de graduação, pós-graduação, recém-doutores e cientistas experientes em uma área, mas leitor inexperiente em outra, precisam de uma certa garantia de que o texto que estão lendo não contêm graves erros conceituais ou metodológicos. O reconhecimento da qualidade de uma revista, supostamente garantida pela qualidade de seu corpo de avaliadores, serve de garantia para esse leitor com pouca ou nenhuma experiência no tema do artigo. Nesse sentido, a publicação de qualquer artigo submetido, sem avaliação pelos pares, é uma prática muito discutível e pode propiciar a difusão de erros conceituais em cascata e em grande quantidade.

Para Schekman, as universidades não deveriam julgar os candidatos em concursos pelas revistas onde publicaram, mas pela qualidade de suas publicações. Trata-se de uma afirmação tão consistente do ponto de vista conceitual, quanto inviável na prática. Quem já participou de concursos para professores universitários, quer seja como gestor ou como examinador sabe muito bem que avaliar 10 ou mais candidatos para uma vaga não é tarefa compatível com a proposta de Schekman. Mesmo que a banca fosse capaz de avaliar o mérito científico das publicações de todos os candidatos, o que na prática jamais ocorre, não haveria tempo hábil para assim proceder nas circunstâncias em que os concursos são realizados nas universidades brasileiras.

Digamos que na tentativa de tornar isso possível, o número de artigos selecionados para a avaliação seja limitado a três. Digamos também que por uma dessas coincidências cósmicas, todos os trabalhos indicados pelos candidatos pertençam aos domínios de expertise da banca. Portanto, a banca deveria avaliar 30 trabalhos como se estivesse na condição de árbitro de revista científica. Só quem não conhece a realidade brasileira pode imaginar algo assim.

Mas, vamos levar ao cúmulo do imaginário esse exercício. Digamos que a banca, possuidora de uma capacidade divina, possa avaliar em tempo hábil o mérito científico de 30 trabalhos. Resta saber se é justo aprovar um candidato

que tenha apenas 3 trabalhos publicados, nada mais do que isso, e que o mérito científico seja apenas levemente superior aos 3 trabalhos selecionados de um candidato preterido, sendo que este tem outros 10 trabalhos publicados, com mérito científico apenas levemente inferior aos seus 3 trabalhos selecionados para a avaliação.

Portanto, imaginar que se pode avaliar produção científica em concurso universitário sem levar em conta a fonte da publicação não passa de devaneio.

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