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Breakfast PR

Para os hispânicos, é DESAYUNO, para os francófonos é PETIT DÉJEUNER, para os germânicos é FRÜHSTÜCK. Nos países lusófonos que se dão o respeito, é DESJEJUM, CAFÉ-DA-MANHÃ OU PEQUENO ALMOÇO.
No país habitado por macaquitos, que das veredas dos grandes sertões sonham com Miami e Flórida, isso já ganhou ares burlescos na escrita e na oralidade. Por tudo isso, BREAKFAST PR é tão ridículo quanto VIBER, NIGHT e NEWBORN. E as panelas no mais retumbante silêncio. Gente que antes vestia camiseta CBF agora reverbera: não gosto de política.

Da coluna de Lauro Jardim, n’O Globo

http://blogs.oglobo.globo.com/lauro-jardim/post/planalto-vai-gastar-r-175-milhao-com-lanches-de-temer-no-aviao-sendo-500-sorvetes-haagen-dazs.html

O Palácio do Planalto abriu uma licitação para comprar comida para abastecer o avião presidencial, que serve Michel Temer e seus convidados durante um ano. O valor previsto para ser gasto, no total, é de R$ 1,75 milhão.

O café da manhã de Temer no avião será incrementado. Com o nome “Breakfast PR”, foram encomendados 200 cafés da manhã prontos, ao custo de R$ 96 cada, com presunto de parma e queijos brie, provolone e muçarela de búfala.

Mas Temer foi exigente mesmo com os sorvetes. Da marca americana Häagen-Dazs, foram encomendados 500 potinhos, totalizando R$ 7.500. Também pediu 50 Cornetos, 50 picolés Tablitos, 50 Chicabons, 50 Eskibons e 50 Frutillys. Foram pedidos ainda 300 picolés sem lactose.

O maior gasto, no entanto, será com tortas de chocolate. Foi pedida uma tonelada e meia de torta, ao custo total de R$ 96 mil.

A propósito, Temer deve mesmo gostar de doce. O Planalto encomendou 120 potes de Nutella, a R$ 34 cada um.

Entre os produtos especificados, estão ainda quatro tipos de açúcar, seis tipos de iogurte e seis tipos de geleia. Só de geleia, serão gastos R$ 27.500.

Com sal do Himalaia, aquele rosa, serão gastos R$ 1.600.

Mas cara mesmo está a cotação do sanduíche de mortadela. Cada unidade pedida pelo Planalto custa R$ 16,45.

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Jantar na casa de Antonio José, para reencontro com Beque, que há meio século navegava fora da minha rota de contato. Presente Mirabô, outro viajante escorregadio com quem de tempos em tempos chego a tropeçar. Me juntando a Beque e Antônio José, a conversa tinha que passar pelo campo da saudade e pela quadra de futebol de salão, mesmo com a presença de Mirabô, que afinadíssimo nas cordas de violão, jamais chegou mesmo a tropeçar com uma bola entre os pés. A conversa tomou o rumo certo quando descobri que o genro de Beque é filho de Lourinho, portanto primo de Chico Carlos. No campo da saudade Lourinho foi rei, imperador e semi-deus, entidades incoporadas por Chico Carlos na quadra de futebol de salão. Joguei futebol de salão com os dois e participei de incontáveis peladas no campo da saudade com Chico Carlos.
O campo da saudade não era gramado. O solo era uma areia salitrosa, com buracos e cocurutos que só aos gênios era permitido correr com a bola plenamente dominada. Ninguém flutuava sobre aquele terreno com maestria e saudável picardia igual a Lourinho. Certa vez relatei no blog Era uma vez em Areia Branca, uma cena que presenciei num certo domingo de 1960. Face o evento de ontem, torna-se obrigatória sua repetição.
Não lembro o time pelo qual ele jogava, e muito menos o adversário. Mas, a jogada, que jogada, está ainda hoje nítida na minha memória. Parece que estou me vendo de pé na lateral do campo, na altura da meia-cancha adversária. Lourinho atacava pela ponta esquerda, a cinco metros de onde eu estava, quando alguém deu um balão em sua direção. Foi um alvoroço naquela zona do campo. Os defensores, uns dois ou três correram para o local, olhando para cima e se encandeando, enquanto a bola descia. Lourinho ali, parado, olhando com calma a trajetória da bola. Quando ela aproximava-se do chão, deu dois ou três passos para trás. A bola quicou em algum buraco do terreno, encobriu os defensores e foi cair mansa no seu peito. Depois do primoroso lançamento para a pequena área, seu centro-avante, que não lembro quem era, cumpriu a tarefa do seu métier com um gol antológico.
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Lourinho é o quarto de pé, a partir da esquerda.

Também pode ser acessado neste endereço: http://www.tribunadonorte.com.br/…/um-jabuti-para-al…/363935.

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Texto escrito em outubro de 1994.

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A cada final de outubro (a partir da última sexta-feira do mês), e durante a quinzena em que se realiza a Feira do Livro de Porto Alegre, assumo o compromisso, comigo mesmo, de escrever esta crônica, que jamais saiu da boa intenção para o papel. Agora, neste ano de 1994, quando se comemora o quadragésimo ano da sua existência, e no momento em que, em tão boa hora, a Câmara Rio-Grandense do Livro edita o magnífico trabalho de Paulo Betancur e Joaquim da Fonseca, A Feira do Livro de Porto Alegre. 40 anos de História, não posso deixar passar a oportunidade de expressar meus sentimentos quanto a este fantástico evento cultural. Com o livro à frente do meu teclado, a tarefa parece mais simples. Cenas e fatos, vistos e sabidos ao longo dos anos, estão aqui cristalizados nas belas ilustrações de Joaquim da Fonseca (o mesmo que ilustrou os livros de Luis Fernando Veríssimo, da série Traçando…[Porto Alegre, Paris, Nova Iorque, Roma]), nas fotos de vários autores, e no texto leve, fluente e agradável de Paulo Betancur. Para quem há anos acompanha a Feira, o livro de Paulo Betancur e Joaquim da Fonseca é como um caderno de apontamentos; cenas ali retratadas lembram outras por mim vividas.

Há uma foto do Mário Quintana, que ilustra bem o anonimato que ele gostava de curtir; à frente de várias barracas, entupidas de gente à busca daquele livro que interessava a cada um, caminha o nosso poeta maior; mãos trançadas à altura do peito, alguns papéis debaixo do braço. De uma pequena multidão de vinte pessoas, apenas três observavam o nosso anjo disfarçado de homem, como a ele costumava se referir Érico Veríssimo. Veio-me à lembrança a feira de 1982, quando fotografei Quintana autografando um livro para Clarisse, minha filha; lembro também que algumas vezes o segui naquela praça, apenas observando-o, no anonimato de um olhar discreto, como se fosse um circunstante eventual sob as sombras dos jacarandás, que tão apropriadamente adornam a Feira.

As setenta barracas criteriosamente distribuídas na Praça da Alfândega (uma área eqüivalente à da Praça André de Albuquerque , em Natal) delimitam, no período de realização da Feira, o espaço cultural privilegiado da capital gaúcha; o espaço para onde converge boa parte dos seus mais de um milhão de habitantes, enfrentando os inevitáveis dias de sol e chuva que acontecem na primavera. Durante dezessete dias por ano, uma pequena multidão vai à praça para festejar o livro, um civilizado acontecimento que orgulha a sociedade gaúcha. Obviamente que muita gente deve ir para comprar livros, mas tem gente que vai só para curtir o acontecimento, e muitos ali estão na simples busca de autógrafos, cujas sessões se dão embaixo de um grande toldo em forma de favo, ao lado do qual há uma barraca especial que vende apenas os livros que serão autografados.

O frequentador mais característico da Feira, é aquele que ataca os balaios, com saldos a preços irresistíveis; este ano comprava-se alentadas biografias de Gauguin, de Picasso, de Robespierre, de Toulouse-Lautrec, entre outros, por quatro reais cada uma. Qual uma ave de rapina, esse frequentador avança no primeiro dia da Feira para abocanhar as melhores ofertas, e depois vai bicando aos poucos, dia a dia, em busca de raridades, que porventura tenham escapado à primeira investida. Os melhores balaios são disputados a civilizados empurrões e chega prá lá.

A incomodação da chuva aqui em Porto Alegre não é comparável à dos temporais de Miami, que este ano teve de cancelar sua feira por causa do furacão Gordon, mas tem suscitado alguma discussão em torno da possibilidade de transferência do local da Feira, por exemplo, para o interior de um shopping center; dizem que os proponentes da idéia tiveram que fugir em debandada. Não é que os organizadores e patronos da Feira sejam extremistas da ortodoxia. Ano a ano modificações são introduzidas, mas ainda não passa pela cabeça de ninguém, trocar os jacarandás pelas escadas rolantes. Este ano, a Associação Rio-Grandense de Escritórios de Arquitetura patrocinou uma novidade para enfrentar as intempéries; trata-se de um enorme toldo transparente, colocado numa das alamedas, apresentando, em conjunto com as dez barracas experimentais, um belíssimo visual. É provável que no próximo ano a experiência se estenda às outras alamedas.

Outra modificação importante introduzida este ano, foi a transferência do bar, do centro da Feira para uma das laterais. A novidade não agradou àqueles que vão à praça apenas para curtir o evento com um copo de cerveja na mão. Para se ter uma idéia do acerto dessa decisão, e da inversão de valores que vinha ocorrendo, basta dizer que na área anteriormente ocupada pelo bar foram colocadas a barraca de informações, o favo dos autógrafos e a barraca de venda de livros a serem autografados. Tudo isso ficava na periferia da Feira! Introduzido na Feira no seu trigésimo aniversário (1984), o bar teve em Luis Fernando Veríssimo, o seu mais renomado padrinho, que numa crônica de 1985 o batizou de Bar Nota 7. Para quase todo mundo, o bar, que hoje chama-se Opinião, é imprescindível; da Feira não deve sair, mas o espaço do livro não deve ocupar.

Embora o enfoque apresentado até aqui tenha sido pessoal, grande parte do que foi dito está documentado no livro de Paulo Betancur e Joaquim da Fonseca, onde encontramos outras informações dignas de uma leitura criteriosa. Ao lado de estatísticas de vendas, e das modificações introduzidas ano a ano, tomamos conhecimentos de alguns fatos curiosos. Por exemplo, não há consenso quanto ao autor da idéia de se organizar essa feira. Para uns teria sido Ruy Diniz Netto, da Livraria e Editora Globo; para outros, o projeto inicial teria sido de Ernani Nerva. Talvez tenha pouca importância a paternidade da idéia, o que importa é que o passo decisivo para a realização da Feira em 1955, foi dado pelo Diretor-Secretário do extinto jornal Diário de Notícias, Say Marques, motivado por uma pequena feira de livros que vira na Cinelândia, Rio de Janeiro, em 1954. A Feira chegou, se instalou e venceu; já foi objeto de tese acadêmica, e é a única feira do gênero que vem funcionando há quarenta anos ininterruptos, no Brasil. Vem, desde muito tempo, funcionando como catalizadora da produção literária gaúcha, quer motivando a criação de novas editoras, quer estabelecendo um referencial para lançamentos de novas obras, ou servindo de exemplo para as mais de vinte cidades do interior que anualmente organizam suas feiras do livro. Certamente um estudo mais aprofundado demonstrará uma correlação positiva entre o atual nível (qualitativo e quantitativo) da produção literária gaúcha e a existência da Feira.

Certamente já estamos longe da época em que a desinformação alimentava o folclore da Feira, como aquela historinha do sujeito que chegou à barraca e perguntou: Tem O vermelho e O Negro do Stendhal?. Sim, temos O vermelho e o negro, respondeu o vendedor. Embrulhe O Vermelho. O Negro eu levo amanhã. Todavia, a busca por autógrafos ainda leva a rídiculos semelhantes. Certo dia presenciei uma cena ilustrativa. Uma senhora queria comprar um livro. Qual livro?, perguntou a vendedora. Qualquer um que venha a ser autografado agora, na sessão das cinco e meia, respondeu a inveterada leitora.

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Veja a matéria no sítio da TN: http://www.tribunadonorte.com.br/noticia/ex-professor-da-ufrn-esta-entre-finalistas-do-pra-mio-jabuti/362308

Atribui-se a Malcolm X a frase:
“Se você não for cuidadoso, os jornais farão você odiar as pessoas que estão sendo oprimidas, e amar as pessoas que estão oprimindo.”
E a Joseph Pulitzer algo similar:
“Com o tempo, uma imprensa cínica, mercenária, demagógica e corrupta formará um público tão vil como ela mesma.”
É por um desses mecanismos que se vê brasileiro negro defendendo Trump, um declarado racista; brasileiros mestiços defendendo o nazismo, uma ideologia ariana, para a qual mestiços devem desaparecer da face da Terra, e beneficiário do bolsa-família votando contra o partido que a criou.
Como a essência do capitalismo é a acumulação do capital, sempre pela via da concentração de renda, essa faixa da população beneficiária dos programas sociais do PT logo se darão conta da roubada em que se meteram.