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Posts Tagged ‘felipe’

Se não me engano, aqueles foram os primeiros jogos olímpicos de Natal. Não lembro que tenha havido em 1961 e 1962. E antes disso nada sei, pois morava em Areia Branca. Aquele foi o único ano em que as olimpíadas foram disputadas em duas categorias: a dos menores (ginasial) e a dos maiores (científico). A convocatória para a formação da seleção de futebol dos menores do Marista não podia ser mais democrática. Um cartaz em um dos murais anunciava que quem quisesse participar bastava comparecer no campo grande. O colégio tinha ainda um campo pequeno e um médio, mas os treinos da seleção não podiam ser em outro local que não fosse o campo “profissional”.

No dia marcado para a apresentação, 55 candidatos a craque se acotovelaram no centro do campo. Lelé era o técnico e Maeterlinck, que jogava na seleção dos maiores, seu auxiliar. Lelé falava pouco. Maeterlinck tomava as providências. Começou separando todos os conhecidos. Porque participavam do círculo social ou porque praticavam um futebol apreciável. Aos mais de 30 “desconhecidos”, Lelé perguntou, um a um, qual a posição em que jogava. Com aqueles que afirmaram jogar em uma única posição formou um time. Com os outros, que diziam jogar em várias posições, ou mesmo em qualquer posição, formou outro time. Ficaram na espera aqueles que correspondiam à preconceituosa afirmação “não tem jeito de jogador de futebol”.

Fui colocado na lateral esquerda do primeiro time, mas não cheguei a jogar mais do que 10 minutos. Depois de um chapéu no frágil ponteiro adversário e de duas ou três arrancadas até a linha de fundo, Lelé se convenceu de que eu deveria me unir ao grupo dos que sabiam jogar futebol. Ao final daquele primeiro dia, 33 meninos foram eliminados. Os 22 restantes passaram a treinar diariamente, sempre depois do primeiro turno da “banca” vespertina. Para quem não sabe, no início dos anos 1960, as aulas do ginasial e do científico no Marista eram matutinas. À tarde, os internos e os semi-internos tinham dois turnos de estudos, separados por um intervalo para lanche, um suco com pão e manteiga. Isso era a “banca”. Nenhum dos 22 selecionados era interno ou semi-interno, mas foram obrigados a frequentar o primeiro turno da banca nos dias de treino da seleção, com direito a lanche.

Não lembro quantos dias passamos por aqueles treinamentos. Lembro da nossa ansiedade, pois apenas 14 ficariam na seleção. No dia da definição, o nervosismo escapava pelos poros. Maeterlinck, prancheta em punha, anotava não sabíamos o quê. Conversava com Lelé, anotava mais alguma coisa. Lelé experimentava várias formações. Numa delas, Mocó, era o centromédio do meu time. Eu, como sempre, o lateral esquerdo. Maeterlinck aproximou-se e perguntou a Mocó: “qual é o seu nome?” Mocó chamava-se Carlos Alberto, acho que Medeiros era o sobrenome. Maeterlick anotou na prancheta. Mocó transpirava alegria. Um suor frio, com a marca da tristeza escorregou pelo meu corpo. Fui eliminado, pensei. No final do treino, todos sentados em volta do círculo central para ouvir Maeterlinck anunciar os 14 selecionados. Era o fim do meu angustiante equívoco. Para decepção do meu querido amigo Mocó, Maeterlinck estava riscando os nomes dos outros 8.

Dos jogos que participamos apenas dois permanecem em minha memória. O primeiro, uma goleada contra o 7 de Setembro, e a final contra o timaço do Salesiano, com Izaltino no gol, Bagadão e companhia. Foi uma vitória magra e consagradora. Apenas um golzinho nos valeu a medalha de ouro. Não lembro se foi Jales ou Alexandre o autor.

De pé, a partir da esquerda: Lelé, Bel, Sebastião, Cândido, Carlos Alberto, Marcílio Carrilho, Washington, Paulo e Felipe. Agachados: Ronaldo Neri, Aurimar (Tuquinha), Alexandre, Jales, Barbosa (Maninho) e Ivens Trindade.

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