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Dante Alighieri em Ravena

Texto revisado em 29 de abril de 2008

Como disse na crônica Congresso em Rimini, na Sexta-feira, 15/09/95, dei por encerrada minha participação no congresso e parti para Ravena. A 50 quilômetros de Rimini, e a meia distância entre esta e Bolonha, Ravena, com menos de 150 mil habitantes, tem traços históricos romanos e bizantinos a cada esquina. Não sei como ela fica durante os meses de inverno, mas agora, no fim do verão, é uma maravilha; botando gente pelo ladrão; uma animação que dá gosto! Ravena é mais conhecida pelos seus mosaicos (considerados os mais espetaculares da Europa), mas, além de outros registros históricos importantes, é preciso não esquecer que essa é a cidade onde, há mais de seiscentos anos, morreu Dante Alighieri, o famoso poeta italiano, autor de A Divina Comédia.

Traços do Império Romano vêm lá do ano 404 dessa era cristã, quando Honorius abandona definitivamente Roma e decide instalar o Império em Ravena. Em seguida, Galla Placidia, irmã de Honorius, governa com todo a pompa romana, até que em 476, o rei godo Odoacre toma-lhe a cidade. Do ponto de vista estético, Bas�lica San Vitale em Ravenadois monumentos chamaram-me a atenção: a basílica de San Vitale e o mausoléu de Galla Placidia. Do ponto de vista histórico, emocionou-me chegar próximo ao túmulo de Dante, e visitar, ao lado, o Museu Dantesco, onde encontram-se belíssimas e antigas edições das suas obras.

A basílica de São Vital é um exuberante monumento arquitetônico, onde a pompa e a engenhosidade nos oferecem um momento de êxtase. Construída sob a forma octogonal, essa igreja guarda parte da magnífica arquitetura bizantina, e uma esfuziante coleção de mosaicos coloridos. Visita imperdível. A foto acima foi extraída de http://www.colegiosaofrancisco.com.br/alfa/imperio-bizantino/museu-bizantino.php

Mosaico O Bom Pastor, no mausoléu Galla PlacidiaPróximo à basílica, o mausoléu de Galla Placidia é igualmente inebriante. Trata-se de uma pequena construção em forma de cruz, com aparência externa simples, mas que guarda no seu interior uma maravilhosa coleção de mosaicos. A cena do bom pastor é de uma beleza emocionante.

 http://pt.wikipedia.org/wiki/Arte_paleocrist%C3%A3

 

Depois desse banho cultural, fui até um café na piazza del popolo Piazza del Popolo em Ravenasaborear um capuccino, que na Itália tem um sabor todo especial. Eles não colocam creme de chantilly , apenas a gordura do leite, depois de passar na máquina de café expresso, fornece a aspecto e o sabor cremoso. Aliás, para quem não sabe, o café expresso na Itália é fortíssimo, ocupando um terço de uma xícara de cafezinho. Muita gente coloca água; é o que eles chamam de café americano, ou café com acqua calda.

 (Foto extraída de

http://picasaweb.google.com/fuadcurcic/RavenaItaly/photo#5111579301390069826)

Fiquei perambulando e curtindo as surpresas a cada quarteirão. Entrei numa ruela e vi duas jovens com flautas transversa, um jovem com oboé, e um outro jovem com um órgão elétrico, executando algo ao estilo de Bach (não conheço as músicas executadas). Três números depois eles foram substituídos por outro jovem conjunto (quatro rapazes): uma flauta transversa, dois violinos e um violoncelo. Tocaram algo ao estilo de Mozart. Logo descobri que se tratava de um projeto cultural. Os dois conjuntos pertencem ao Istituto Verdi. Ao longo da semana, em vários locais da cidade, em vários horários, há algum tipo de manifestação artística. Nesse momento, estou numa mesa ao ar livre, tomando uma birra alemã, assistindo um espetáculo de fantoche; não entendo niente, mas a criançada se diverte. Ah, já sei usar perfeitamente o prego, scusi e grazie! Em frente, um belo edifício renascentista; fico com pena de não ter trazido a máquina fotográfica.

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Texto revisado em 16 de junho de 1998

Estou em meio a uma viagem que teve início em São Paulo, com escalas em Madri e Roma. Em Roma tomei o trem para Rimini , com baldeação em Falconara. Essa parte foi relatada na crônica Pequena aventura em Roma.

Mapa Ancona - Falconara - Rimini - Ravena

www.weather-forecast.com/locationmaps/AnconaFalconaraINT.jpg

Falconara - Itália

Logo depois da chegada em Falconara, por volta das 17 horas, tomei o trem para Rimini, seguindo um trajeto à margem do mar Mediterrâneo (mais precisamente, à margem do mar Adriático), cheio de estações de veraneio. Quando se vê essa região de perto, entende-se claramente porque os europeus ficam loucos pelas praias brasileiras. Foto extraída de http://www.provincia.ancona.it/ 

A ICAME, International Conference on the Applications of the Mössbauer Effect ( 10 a 16/09/95) foi, do ponto de vista organizacional, um desastre. Não vou discutir aqui o aspecto científico, que foi bastante bom, mas talvez não interesse aos leitores potenciais desses apontamentos. A cidade não tem, aparentemente, um local onde se possa organizar todo o evento. Assim, as conferências são apresentadas no belo Teatro Novelli; às 11 horas e às 17 horas temos intervalos para sucos e cafezinho acompanhados de biscoitos, servidos nos jardins do Grand Hotel, grand hotel de riminia 200 metros do teatro; os painéis são apresentados em outra dependência do Grand Hotel, entre 14 e 17 horas. O controle dos participantes é extremamente rígido, sendo impossível participar de qualquer evento (conferência, poster ou café) sem a comprovação de que está inscrito no congresso (500 dólares). Nas conferências e no salão dos painés, temos que portar nosso crachá, e para cada cafezinho recebemos um ticket, que devemos entregar a lindas recepcionistas, bem uniformizadas, na entrada do Grand Hotel. Sucos, biscoitos e cafezinho dispostos em duas grandes mesas, com bem uniformizados garçons para servir. Para isso temos que enfrentar uma fila enorme. Tudo muito sofisticado, mas pouco prático. Em Caxambu, onde organizamos um congresso para mais de 1000 pessoas (quase o triplo do que se tem aqui), nunca necessitamos de filas para o cafezinho. Simplesmente colocamos garrafas, copinhos, sucos e biscoitos em mesas próximas aos painéis, e cada um vai se servindo à vontade.

Cartaz de AmarcordRimini, a Amarcord de Fellini, é uma conhecida e agradabilíssima estação de veraneio, no mar Adriático, com calçadas no interior de alamedas de plátanos. Com 120 mil habitantes, a cidade me impressionou pelo número de livrarias. A enorme quantidade de bares e restaurantes não surpreende, em se tratando de uma cidade turística. Ficamos (o Lívio e eu) no Hotel Centrale Lido, um simpático 2 estrelas próximo ao Teatro Novelli. Nesses termos, ficamos bem acomodados. Alguns colegas ficaram bem distantes dos locais dos eventos. Nesses dias, um grupo de velhinhos e velhinhas, acompanhados por uma jovem (paramédida?), passam suas férias de verão no hotel. É uma festa isso aqui. Aliás, fizeram uma festa de arromba no último dia das férias, um dia antes da nossa partida. Chegamos ao hotel por volta das 11 horas e o baile corria solto. Nos convidaram e aceitamos tomar um vinho com bolo.

 

A família Malatesta, que dominou a cidade lá pelos idos do século 13, tinha, entre seus membros, gente que se distinguia pela crueldade, gente do mais refinado trato, e gente que se comportava de um extremo ao outro. Por exemplo, em A Divina Comédia , Dante conta como Gianni Malatesta matou sua esposa Francesca da Rimini e seu irmão Paolo Malatesta. A propósito, Tchaikovski escreveu uma famosa fantasia sinfônica intitulada Francesca da Rimini. Mais tarde, Sigismond Malatesta, que protegia os humanistas e encorajava as artes, mata suas três primeiras mulheres antes de se casar com a amante.

Sexta-feira, 15, dei por encerrada minha participação no congresso, que não tinha nada de interessante programado para esse dia. Logo cedo parti para Ravena, aceitando a sugestão do Lívio, que ama os famosos mosaicos dessa bela cidadezinha.

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