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Posts Tagged ‘lhc’

O conhecimento, qualquer que seja sua natureza, avança pelo divulgação de idéias inéditas. Isso não é apenas importante do ponto de vista comercial (patentes). Tem grande efeito psicológico sobre aqueles que produzem conhecimento. Isso também é válido para quem divulga. Os jornalistas têm até uma expressão própria: “furo”. Geralmente um trabalho científico que não apresente uma boa componente inédita é rejeitado pelas boas revistas científicas.

Na divulgação científica não há esse rigor quanto ao ineditismo da informação. Por exemplo, quando o Grande Colisor de Hádrons estava para ser inaugurado, jornais do mundo inteiro publicaram reportagens e artigos similares. Se o ineditismo não é uma exigência prioritária quanto ao tema, na minha opinião deve ser quanto à abordagem. Nos meus textos de divulgação científica faço um grande esforço para apresentar algo de um modo inédito.  Além disso, acredito que os divulgadores da ciência também tenham uma certa satisfação quando identificam algo interessante e que esteja pouco divulgado.

Fiquei muito contente quando no mês passado escrevi minha coluna na Ciência Hoje Online sobre o grafeno, sem conhecimento de que o tema estava para ser tratado em artigo na versão impressa da CH de março. O artigo de Adalberto Fazzio, Antônio J. R. da Silva e Thiago B. Martins veio a público poucos dias depois da minha coluna. Nas palavras de um amigo: foi uma dessas coincidências cósmicas!

Agora aconteceu-me outra. Minha coluna de abril, publicada em 27 de março, é sobre o papel eletrônico. Os últimos artigos publicados pela Nature e Science, especificamente sobre o tema, datam de 2005. Agora, na edição de 1 de abril, a nature publicou este artigo The textbook of the future.

Não vou negar que dá uma certa alegria sair na frente da Nature!

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O Prêmio Nobel de Física de 2008 foi concedido a 3 físicos japoneses. Metade do prêmio vai para o naturalizado norte-americano Yoichiro Nambu, pela descoberta do mecanismo da quebra de simetria espontânea na física subatômica. A outra metade vai para os japoneses Makoto Kobayashi e Toshihide Maskawa, pela descoberta da origem da quebra de simetria que permitiu prever a existência de três famílias de quarks na natureza.

A simetria é uma propriedade tão atávica na vida de um físico, que é importante até quando não existe. Confusa a frase? Deixe-me explicar. Muitos físicos acreditam que a natureza é simples e simétrica, e quando a simetria não existe, ou quando ela é quebrada, algo de importante deve ter acontecido. Isso não é uma simples licença poética, uma quimera inconseqüente. A história da física está repleta de casos em que explicações de fenômenos conhecidos e descobertas de novos fenômenos foram orientadas pela investigação de quebras de simetria.

Talvez não haja área da física em que a quebra de simetria seja tão importante quanto na física de partículas elementares, mas foi a partir da descoberta da supercondutividade que o tema foi descoberto por Nambu, em 1960. Com a idéia de quebra espontânea de simetria, ele explicou o efeito Meissner, um dos grandes mistérios da supercondutividade. Na verdade, desde 1928 a quebra espontânea de simetria vinha sendo usada na física da matéria condensada. O mérito de Nambu foi mostrar que ela também podia ser usada em teoria de campo. Daí para a física de partículas elementares foi um pequeno salto.

O primeiro sinal de uma quebra de simetria em física de partículas veio no bojo das investigações de Sheldon Glashow (1932-), Steven Weinberg (1933-) e o paquistanês Abdus Salam (1926-1996), nos anos 1960, quando eles mostraram que as interações eletromagnética e fraca podiam ser unificadas. Mas, aí criaram um pequeno problema. Se o fóton, que propaga a interação eletromagnética, é uma partícula sem massa de repouso, como é possível que os propagadores da interação fraca, os bósons W e Z, sejam partículas com massa de repouso diferente de zero? Resposta: por causa de uma quebra de simetria. Foi aí que Higgs fez sua proposta, criando o bóson que leva seu nome. Este seria o responsável pela massa, não apenas dos bósons W e Z, como de todo o universo.

Partindo do modelo de Glashow-Salam-Weinberg, Kobayaschi e Maskawa mostraram, em 1973, que tudo estaria correto se existissem no mínimo três gerações de pares de quark. Na época apenas o quark estranho havia sido experimentalmente comprovado. Mas as descobertas sucederam-se rapidamente. Logo depois do trabalho de Kobayashi e Maskawa, ainda em 1974, o quark charme foi descoberto.. Em 1977, foi a vez do bottom e do down. Em 1994, o up foi descoberto. Finalmente, em 1995 o sexto quark, o top, deu as caras.

Para completar a família do modelo padrão falta a captura do bóson de Higgs. Prudentemente a Real Academia Sueca de Ciências garantiu o Nobel deste ano para os japoneses que previram as famílias de quarks, para deixar o do ano que vem para Higgs, depois que sua partícula for observada no LHC. Quem viver verá!

Para saber mais:

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A avalanche de notícias que tomou conta de jornais e revistas do mundo inteiro sobre a entrada em operação do Grande Colisor de Hádrons (LHC: Large Hadron Collider) determinou o tema da minha coluna de setembro na Ciência Hoje Online. Para termos uma boa visão da física que está por trás desse fantástico empreendimento é necessário um espaço bem maior do que aquele definido na CH Online. Portanto, usarei o blog para complementar a matéria da CH Online.

Sumário
  1. O modelo padrão
  2. O bóson de Higgs e a quebra de simetria
  3. Aceleradores de partículas
  4. O LHC
  5. O detector ALICE
  6. O detector ATLAS
  7. O detector CMS
  8. O detector LHCb
  9. Bibliografia 

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A avalanche de notícias que tomou conta de jornais e revistas do mundo inteiro sobre a entrada em operação do Grande Colisor de Hádrons (LHC: Large Hadron Collider) determinou o tema da minha coluna de setembro na Ciência Hoje Online .

Para termos uma boa visão da física que está por trás desse fantástico empreendimento é necessário um espaço bem maior do que aquele definido na CH Online. Portanto, usarei o blog para complementar a matéria da CH Online.

Sumário
  1. O modelo padrão
  2. Descoberta de algumas partículas “elementares”
  3. O bóson de Higgs e a quebra de simetria
  4. Aceleradores e detectores de partículas
  5. O LHC
  6. O detector ALICE
  7. O detector ATLAS
  8. O detector CMS
  9. O detector LHCb
  10. O LHC vai destruir a terra?
  11. BibliografiaEstou comprometido com a redação de um artigo e de uma palestra para este mês de outubro, razão pela qual interromperei a produção deste material sobre as partículas elementares.

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