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Posts Tagged ‘natal’

Durante as décadas e 20 e 30 (séc. XX), a Ribeira era o bairro dos ricos de Natal. O Café Magestic reunia o melhor da sociedade natalense da época e era uma marca registrada do bairro.
Em dado momento o proprietário, preocupado com o crescente número de “fiados”, compartilhou sua preocupação com um amigo, também frequentador do Café – poeta, boêmio, dono de um senso de humor apurado – o qual sugeriu ao amigo que afixasse um cartaz no estabelecimento, que ele teria o maior prazer em redigir o texto.
Sugestão aceita. No dia seguinte lia-se em letras garrafais, logo no salão principal do tradicionalíssimo Café Magestic, esta peça rara da literatura brasileira:
Pra que não haja transtorno
Aqui no meu barracão
Só vendo fiado a corno
Fela da puta e ladrão
Fonte: “A Natal que Eu Vi”, de Lauro Pinto.
PS – Conta-se que o número de “fiados” foi quase a zero.
Para você entender que não era fácil fugir do FIADO, diz Evaldo que SEU PAI FALIU POR SUA CAUSA.

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Se não me engano, aqueles foram os primeiros jogos olímpicos de Natal. Não lembro que tenha havido em 1961 e 1962. E antes disso nada sei, pois morava em Areia Branca. Aquele foi o único ano em que as olimpíadas foram disputadas em duas categorias: a dos menores (ginasial) e a dos maiores (científico). A convocatória para a formação da seleção de futebol dos menores do Marista não podia ser mais democrática. Um cartaz em um dos murais anunciava que quem quisesse participar bastava comparecer no campo grande. O colégio tinha ainda um campo pequeno e um médio, mas os treinos da seleção não podiam ser em outro local que não fosse o campo “profissional”.

No dia marcado para a apresentação, 55 candidatos a craque se acotovelaram no centro do campo. Lelé era o técnico e Maeterlinck, que jogava na seleção dos maiores, seu auxiliar. Lelé falava pouco. Maeterlinck tomava as providências. Começou separando todos os conhecidos. Porque participavam do círculo social ou porque praticavam um futebol apreciável. Aos mais de 30 “desconhecidos”, Lelé perguntou, um a um, qual a posição em que jogava. Com aqueles que afirmaram jogar em uma única posição formou um time. Com os outros, que diziam jogar em várias posições, ou mesmo em qualquer posição, formou outro time. Ficaram na espera aqueles que correspondiam à preconceituosa afirmação “não tem jeito de jogador de futebol”.

Fui colocado na lateral esquerda do primeiro time, mas não cheguei a jogar mais do que 10 minutos. Depois de um chapéu no frágil ponteiro adversário e de duas ou três arrancadas até a linha de fundo, Lelé se convenceu de que eu deveria me unir ao grupo dos que sabiam jogar futebol. Ao final daquele primeiro dia, 33 meninos foram eliminados. Os 22 restantes passaram a treinar diariamente, sempre depois do primeiro turno da “banca” vespertina. Para quem não sabe, no início dos anos 1960, as aulas do ginasial e do científico no Marista eram matutinas. À tarde, os internos e os semi-internos tinham dois turnos de estudos, separados por um intervalo para lanche, um suco com pão e manteiga. Isso era a “banca”. Nenhum dos 22 selecionados era interno ou semi-interno, mas foram obrigados a frequentar o primeiro turno da banca nos dias de treino da seleção, com direito a lanche.

Não lembro quantos dias passamos por aqueles treinamentos. Lembro da nossa ansiedade, pois apenas 14 ficariam na seleção. No dia da definição, o nervosismo escapava pelos poros. Maeterlinck, prancheta em punha, anotava não sabíamos o quê. Conversava com Lelé, anotava mais alguma coisa. Lelé experimentava várias formações. Numa delas, Mocó, era o centromédio do meu time. Eu, como sempre, o lateral esquerdo. Maeterlinck aproximou-se e perguntou a Mocó: “qual é o seu nome?” Mocó chamava-se Carlos Alberto, acho que Medeiros era o sobrenome. Maeterlick anotou na prancheta. Mocó transpirava alegria. Um suor frio, com a marca da tristeza escorregou pelo meu corpo. Fui eliminado, pensei. No final do treino, todos sentados em volta do círculo central para ouvir Maeterlinck anunciar os 14 selecionados. Era o fim do meu angustiante equívoco. Para decepção do meu querido amigo Mocó, Maeterlinck estava riscando os nomes dos outros 8.

Dos jogos que participamos apenas dois permanecem em minha memória. O primeiro, uma goleada contra o 7 de Setembro, e a final contra o timaço do Salesiano, com Izaltino no gol, Bagadão e companhia. Foi uma vitória magra e consagradora. Apenas um golzinho nos valeu a medalha de ouro. Não lembro se foi Jales ou Alexandre o autor.

De pé, a partir da esquerda: Lelé, Bel, Sebastião, Cândido, Carlos Alberto, Marcílio Carrilho, Washington, Paulo e Felipe. Agachados: Ronaldo Neri, Aurimar (Tuquinha), Alexandre, Jales, Barbosa (Maninho) e Ivens Trindade.

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Estive em Aracati para avaliar a Faculdade do Vale do Jaguaribe, que ocupa espaços alugados no Instituto São José (foto ao lado), e no Instituto Waldemar Falcão (Salesianas). Se não me engano, nesses colégios estudaram várias meninas de Areia Branca nos anos 1960. Tenho certeza que Altair foi uma delas. 

Naquela época não havia ginásio em Areia Branca. Depois do primário, a única alternativa era uma escola técnica de comércio. A solução para os que possuiam recursos financeiros era enviar as crianças para cidades maiores, geralmente Mossoró, Natal, Aracati e Fortaleza. Nas férias todos se encontravam em Areia Branca para contar suas aventuras. Cada um puxando a brasa para o seu assado. Por exemplo, lembro bem que o pessoal que estudava em Aracati contava loas e boas sobre a praia de Majorlândia.

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Foto acima, extraída de http://farm1.static.flickr.com/126/354907188_577aa235d7.jpg

canoaquebrada_long_beach_village1Com a descoberta de Canoa Quebrada, Majorlândia passou a ser uma simples referência geográfica. Conheço Canoa Quebrada de outros carnavais, quando fiquei numa simples e agradável pousada na Broadway (lá vem essa coisa de nomes estrangeiros, argh!). Desta vez fiquei no Long Beach Village (argh!). Não tive tempo de apreciar aquela vista nem de sentir aquela água morninha. http://www.portalcanoaquebrada.com.br/canoa_quebrada_resort_long_beach.htm

À noite fomos saborear uma paella de Barcelona, num restaurante da Broadway, aquela simpática ruazinha, apesar do horroso nome.

canoaquebrada_broadway_noturna

http://www.residenzacanoa.com/fotos/broadway.jpg

Aproveitei uma pequena folga depois do almoço para fotografar alguns locais que pode ter sido frequentado por meninos e meninas de Areia Branca, lá nos idos 1960.

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Capela do Instituto São José um dos colégios de freiras. Algumas das meninas estudaram aqui?

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Entrada principal do Instituto São José.

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E aqui, no Colégio das Salesianas, será que alguma menina de Areia Branca estudou?

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Aqui no Colégio Marista, tenho certeza que vários meninos de Areia Branca estudaram. Imagino eles saindo do internato na tarde de sábado para paquerar na praça em frente. Alguém tem fotos desses locais, tiradas naquela época?

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Dei uma circulada na cidade e fotografei algumas edificações centenárias e interessantes, como uma igreja próximo ao Colégio das Salesiana, o fórum e algumas casas com azulejos.

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Esse texto foi originalmente publicado em http://www.geocities.ws/natalcas2002/

© 2002 C.A. dos Santos
Texto revisado em dezembro/2002

O Bar Dia e Noite estava localizado na Rua João Pessoa, próximo à Rua Princesa Isabel. À tarde servia lanches para os adolescentes abastados, e à noite para a juventude namoradeira, igualmente abastada. Depois do namoro era costume ir até o Dia e Noite fazer um lanche para recuperar as energias perdidas no inocente jogo amoroso. Ficava à direita dessa foto , uns 50 metros a partir da esquina(http://flog.digizap.com.br/djalma/18481).

Nos finais de semana, a partir de sexta-feira, o bar fervia. Depois das festas nos clubes (ABC, América, Aero Clube, Assen, entre outros), era uma corrida para o Dia e Noite. Não raro, o teor etílico provocava pequenos bate-bocas, sururus e arranca-rabos. É verdade que às vezes o quiproquó era grande, com generalizada quebradeira de mesas. Principalmente quando estavam metidos aqueles irmãos com sobrenome italiano.

O garçom Gasolina era uma figura marcante no Dia e Noite. É personagem certa no folclore do bar. Tinha os bordões seguidamente repetidos por ele e pelos fregueses. Não sei quantas vezes ouvi um ou outro freguês exclamando em alto e bom som:

Gasolina, suspenda os ovos e passa a língua!

De vez em quando alguém perguntava:

Gasolina, terminou a casa?

A costumeira resposta negativa do garçom era seguida pela complementação do piadista – Ah, então continua levando vara?. A referência era antiquada, tratava-se da construção de uma casa de taipa.

As piadas eram batidas. Só a indulgência da felicidade justificava as repetidas gargalhadas.

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© 2002 C.A. dos Santos
Texto revisado em 13 de janeiro de 2003

Esta crônica é baseada em texto enviado por um internauta identificado como Caramuru


Em 1969, Joerton era nosso professor de matemática no 3o ano do científico noturno do Colégio Estadual do Atheneu Norteriograndense. Ah! o velho e glorioso Atheneu. Era um estudante de engenharia, um pouquinho mais velho que os mais novos da nossa turma. Freqüentávamos os mesmos ambientes da boemia. Depois da aula de 6a feira saíamos para a farra, geralmente para as festas do ABC, que ficava bem ali, na esquina da Afonso Pena com a Potengi, atrás do Atheneu.

Joerton exibia aquele ar desligado comum aos seres humanos de inteligência indiscutível. Fazia questão de deixar claro que não precisava preparar aula. Para ele, o improviso era a marca do intelecto superior. Tinha orgulho de tudo isso, mas do que mais se orgulhava era da sua capacidade de ingestão alcoólica. Conhecia todos os bares e botecos de Natal, mas seu local preferido era a A Palhoça. A Palhoça era assim, não necessitava do qualificativo Bar.

Toda 4a feira Joerton saía do Atheneu, seguia pela Potengi até a Av. Deodoro, dobrava à esquerda e caminhava cinco quadras até à Palhoça. Ficava ao lado do Cine Rio Grande e era propriedade do pai de Luíz Damasceno, o mais competente livreiro da capital potiguar. O nome Palhoça combinava com a arquitetura do estabelecimento, que consistia em vários cubículos, separados por paredes de palha, com chão de areia. Nessa foto, extraída de http://www.geocities.com/geraldom3/fotos/fotos.htm, a Palhoça fica à esquerda.

Certa vez Joerton nos convidou para uma cervejada na Palhoça. Como de costume, não parava de contar histórias do folclore escolar. Naquele dia, a mais hilariante envolvia um famoso filhinho-de-papai, que era tão obtuso, quanto rico.

A cena ocorrera no cursinho pré-vestibular. O professor de matemática estava dando uma aula sobre análise combinatória. A certa altura, o garboso e obtuso mancebo, que se postava arrogantemente nas últimas cadeiras da sala, pergunta:

Professor, o que quer dizer esse sinal de exclamação depois do número 4?

Imediatamente, um atilado e irônico colega que se sentava bem na frente, vira-se e diz, em alto e bom som:

O sinal de exclamação está exclamando: Oh, menino, quanto és burro!

Como se sabe, em análise combinatória, o sinal de exclamação é utilizado para representar a operação fatorial, ou seja, fatorial de 4 é escrito assim: 4!

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