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Posts Tagged ‘viagem’

Se você é estudante universitário, domina o inglês e deseja passar um ano em Londres, talvez esta notícia lhe seja interessante.

A University College London está divulgando a oportunidade de estrangeiros participarem do seu programa de Cidadania Global. Trata-se de um programa multidisciplinar cuja descrição, fornecida pela UCL é basicamente a seguinte:

This multi-faculty undergraduate programme draws on UCL’s prestigious research-based teaching, in areas such as science studies, history, politics, media studies, sociology and geography, to enable students to understand citizenship both as a significant intellectual concern of our time, and as a programme of action that will empower them and make real changes for a better world.

The undergraduates on this programme visit UCL for a year, or part of a year, during which they take courses centred in science and technology studies and develop skills in global citizenship. The programme also includes a selection of courses from UCL’s departments of Politics, Anthropology, History and Geography among others.

Detalhes em http://www.ucl.ac.uk/sts/global-citizen.

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Já estou me preparando para a volta, que terá início no dia 2 de dezembro. Fico abismado com a quantidade de treco que fui juntando nesses quase três meses fora de casa. Quantos quilos de excesso deverei pagar? Não quero nem pensar nisso!

Hoje, primeiro de dezembro, deixo o apartamento de Madame Yvette Saunieres e dormirei na casa de Marc/Huguette Bogé. Jantamos na companhia de Luis e Carla. Catherine apareceu para se despedir. Huguette e Marc, que conhecem e adoram o Brasil, juntamente com a filha, Catherine, são amigos queridíssimos que temos em Grenoble.

Acabei de embarcar minha bagagem no aeroporto Satolas (Lyon). Setenta quilos e muitas complicações, a começar pela inexistência do telex da Varig autorizando os 43 quilos, em virtude de convênio com o CNPq. Discute daqui, discute dali, resolvi embarcar a bagagem até o Charles de Gaulle, ao invés de até o Rio, como pretendia. Paguei 40 quilos de excesso, correspondente ao trecho Lyon-Paris. Embarcar a bagagem direto para o Rio teria a grande vantagem de circular no aeroporto de Paris com as mãos quase livres. Agora, terei que enfrentar o ônibus entre uma plataforma e outra do Charles de Gaulle, com cinco (eu disse, cinco!) volumes: duas malas (enormes), um porta-sobretudo, uma sacola (enorme), uma valise de cabine e uma sacola de mão. Fiquei com a valise de cabine e a sacola de mão, mas na subida do avião tive que deixar a valise de cabine (grande demais para os aviões domésticos) no compartimento especial de bagagem. Recebi de volta, ao lado do avião, em Paris.

Na esteira, ficou faltando a grande sacola (nova, mas muito ordinária) que comprei em Grenoble e que usei para colocar sapatos, roupa suja, e coisas sem grande valor; dezessete quilos de treco velho! Enquanto aguardava, comecei um papo com uma senhora que estava ao lado, uma representante comercial que ia para Buenos Aires, via Rio. Foi a salvação da lavoura . Ficou ali até que eu terminasse de fazer o registro da bagagem extraviada, e depois me ajudou a transportar a bagagem até o guichet da Varig. Com o extravio do sacolão, restaram 53 quilos. Felizmente consegui comprovar que era bolsista do CNPq, tendo portanto, o direito a 43 quilos livres e de pagar apenas a metade do excesso.

Embarque para o Rio na hora prevista, 22h20. Disponho de cinco poltronas “só para mim”, concluí corretamente; logo que a tripulação iniciou o procedimento de decolagem, estendi cobertores em três poltronas e viajei confortavelmente. Nas poltronas da frente, percebo um casal, representante daquela classe de capitão de corveta de araque . Ouço a mulher dizer: “Ah, sempre trago alguma coisinha para beliscar. Não suporto essa comida de avião”. Esse é o tipo de comentário revelador. Ora, o chef do avião não é nenhum Paul Bocuse, mas a comida também não é nenhum pouco igual a um PF de restaurante estudantil. Depois daquele comentário, resolvi dar uma de xereta . Quando o jantar foi servido, não tirei os olhos da dondoca (discretamente!). Não sobrou um grãozinho de ervilha para contar a história. Ela começou pelo pãozinho com manteiga, avançou na salada, devorou o peito de galinha com ervilha, sorveu o refrigerante e degustou a sobremesa! Para quem não suportava comida de avião, isso deve ter sido um sacrifício enorme!

No Galeão, minha bagagem provoca exclamações do tipo “nossa!”. Passo na alfândega e logo me dirijo a um dos funcionários que me pergunta: “Tem algo a declarar?”. “Não, respondo, mas com uma bagagem dessa todo mundo desconfia, de modo que pode abrir”. “Pode passar”, respondeu o simpático policial.

De zero graus para quase quarenta, do vinho para a cerveja, mas, sobretudo, da solidão para o afago da família. Cheguei!

Quatro dias depois chegou, intacta, minha sacola.

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Crônica publicada no jornal Primeira Mão
Ano II, n. 4, 1998

Esta é a continuação da crônica anterior, publicada na edição de agosto/98 de Primeira Mão (Pequena aventura em Roma). Saí do hotel por volta das nove horas, atravessei a rua e fui tomar café na stazione Termini, a estação central de Roma, de onde partem todos os trens para o interior do país. Fica nas proximidades do Coliseu, não muito afastada do Vaticano. Depois de um saboroso cappuccino, acompanhado de um sanduíche do mais legítimo salame italiano, fui comprar meu biglietto di viaggio Roma-Ancona, com conexão em Falconara.

Logo que entrei no carro para não fumantes, tentei obter algumas informações sobre a viagem. Nas poltronas ao lado, dois casais idosos tentaram, mas não conseguiram se fazer entender. Tudo que entendi, o óbvio, era que Falconara ficava antes de Ancona. Eles diziam, pausadamente:

Roma-Ancona. Cambiato Falconara.

Nesse momento senta um sujeito na poltrona em frente. Fui logo perguntando:

Parlez vous Français?

No

foi a resposta, acompanhada de um leve sorriso. Não desanimei:

Do you speak English?

Yes, I do”.

Que bom, pensei, agora saberei tudo sobre a viagem. Imediatamente após esse primeiro contato, o sujeito mexeu na sua mochila, consultou alguns papéis e disse que ia telefonar na plataforma. Largou a mochila na poltrona e falou:

Voltarei em seguida”.

Fiquei apavorado. Saí do Brasil absolutamente paranóico com os atentados de terroristas islâmicos ocorridos na Europa, principalmente na França, durante aquele ano de 1995. A paranóia se instalou; não pude evitar a dúvida: e se nessa mochila tiver uma bomba? Observei-o enquanto falava no telefone; a paranóia cresceu: e se ele estiver comunicando que fez o “serviço”? Suor frio nas mãos, tensão braba, comecei a imaginar uma estratégia de reação: se naquele momento o trem partisse sem o sujeito, eu já estava pronto para dar o alarme. Relaxei quando o rapaz retornou ao seu lugar. Essa paranóia me acompanhou durante toda a viagem, principalmente na França. Qualquer pessoa com um pacote era “suspeita”. E se tivesse o biótipo argelino, pronto! Ali estaria um potencial terrorista do GIA (Grupo Islâmico Armado).

Desfeito o engano, fiquei sabendo que se tratava de um engenheiro de telecomunicações, com aparente índole pacífica e muito prestativo. Informou que existem many stops no trajeto, mas que não há qualquer cidade importante. Entre as várias cidadezinhas, destacam-se Terni, Spoleto, Foligno e Fabriano, quase todas com estações tipicamente de interior: apenas uma plataforma com cobertura. Descobri, enfim, que se tratava de um verdadeiro pinga-pinga, que leva cinco horas e meia até Falconara. Lá a parada é rápida, “few minutes”, disse-me ele. Pronto, mais um motivo para preocupação. Como eu ia me safar com toda a minha bagagem? Deverei me preparar um pouco antes, pensei. Não, nada de pânico; meu casual companheiro de viagem também descerá em Falconara, e deverá me ajudar. Assim espero! Mais uma vez relaxei e retomamos a conversa.

A certa altura da viagem aparece o fiscal para conferir os bilhetes; descobri que tinha esquecido de convalidar (em Italiano a palavra também é essa) o dito cujo na plataforma da estação. O fiscal disse algo, e o colega traduziu: “ele está perguntando por que você não convalidou o bilhete”. Respondi que tinha esquecido. O fiscal deixou prá lá, mas me repreendeu pelo esquecimento. Se ele não tivesse me liberado, a multa seria de sessenta mil liras (a passagem custou trinta mil liras).

A propósito, duas historinhas recentes sobre isso. Uma aconteceu em Rimini, com uma colega carioca. Do centro da cidade, até o local do congresso, não é muito longe; dá para ir a pé, tranqüilamente, mas ela estava com pressa, e resolveu ir de ônibus. Comprou o bilhete (seis mil liras), mas esqueceu de convalidá-lo. Surpreendida pelo fiscal, ela, que fala Italiano fluentemente, se fez de inocente e danou-se a falar em Inglês, dizendo que não tinha visto a máquina para convalidar o bilhete, etc, etc. Os fiscais, que provavelmente não estavam entendendo nada do que ela falava, começaram a falar “polizia”, “polizia”. Foi aí que ela entendeu que não tinha qualquer chance, e rapidamente começou a perguntar, sempre em Inglês, quanto era a multa. Pagou, sem direito a choro, a bagatela de sessenta mil liras. Ficou brabíssima!

A outra história me foi contada por uma garota (gaúcha) que conheci no Galeão, no dia que estava voltando (3/12/95). Ela fazia uma viagem entre duas cidades italianas; não lembro quais. Quando percebeu que tinha esquecido de convalidar o bilhete, correu para dizer ao fiscal, antes que este iniciasse seu trabalho. Resposta: “como você se declarou culpada, vou cobrar apenas dez mil liras de multa, ao invés dos sessenta mil”.

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Crônica publicada no jornal Primeira Mão
Ano II, n. 5, 1998

Nessa viagem, meu primeiro destino era Rimini, Itália, para participar de um congresso. Minha agente de viagem organizou tudo, e decidiu que eu deveria ir até Madrid, tomar outro avião até Roma, e de lá partir de trem para Rimini, a Amacord de Fellini, uma agradabilíssima estação de veraneio no mar Adriático. Logo descobri que minha agente tinha rateado. O melhor teria sido ir de Madrid para Bolonha, e de lá para Rimini. No avião para Roma, dois padres, com batina preta, sentaram-se ao meu lado. Simpáticos, disseram-me que a melhor opção para ir do aeroporto até a stazione Termini (como eles chama a estação central) era de treno (não, não é trenó, é trem) de modo que programei meu consciente e meu inconsciente para pegar il primo treno que partisse do aeroporto. Às nove e meia aterrissamos em Roma, mas entre apanhar a bagagem, que demorou a aparecer na esteira, fazer um pipi e descobri onde se pega il treno para Termini, lá se foram uns bons noventa minutos. Enfrentar italiano que não fala inglês nem francês, é duro!

Depois de atravessar uns bons cento e cinqüenta metros, do hall do aeroporto até a plataforma do trem, fiquei desolado ao perceber que não havia viv’alma para dar informações. De repente apareceu um servente que me indicou a plataforma. Eu deveria, pelo que entendi, pegar o trem para Tiburtino e depois para Termini. Agora, só faltava comprar o bilhete. Como eu, havia um monte de ignorantes em volta das bigleterias automáticas. “Aperta esse botão?”, dizia um deles em espanhol. “Não, aquele outro!”, respondia alguém em inglês. Tudo agonia de viajante vexado, pois bastou um pouco de calma para descobrir como tudo aquilo funcionava. Apertei o botão para Termini; a tela indicou a tarifa: treze mil liras (1 dólar equivalia aproximadamente a 1.560,00 liras); coloquei duas notas de dez mil liras, e a máquina soltou o bilhete e 14 moedas de 500 liras. Maravilha! Bilhete na mão, o problema era não pegar o trem errado. Às 23 horas, isso seria uma tragédia!

Como eu, mais perdido que ganso em festa de pato, havia uma família que falava espanhol. Naquele corre-corre, nem percebi quantos eram. Havia um homem, uma mulher que falava muito, perguntava, tomava iniciativa; outra mulher, mais calma, e duas ou três crianças. Um trem, não sei para onde, estava estacionado na plataforma; um italiano, aparentemente um funcionário, tentou nos explicar, mas não entendemos absolutamente nada! A essa altura, parte da família já havia subido no trem; ficamos eu e o chefe da família, brigando com nossas malas para passar na porta que já estava fechando. Trem em movimento, todo mundo lá dentro sem saber como chegar em Termini. Abandonando as bagagens no corredor, mas com o olho atento, corre um pra cada lado para ver se encontra alguém que fale uma língua compreensível. No carro seguinte, encontrei um jovem e simpático casal que falava um sofrível, mas compreensível francês. Ufa, que alívio! Me explicaram tudo direitinho. Aquele trem não ia até Termini! Que boa notícia! Deveríamos saltar em Ostiense e pegar o metrô até a estação central.

Quando retornei ao carro onde se encontrava minha bagagem, percebi que parte da família tinha caminhado até o carro seguinte, deixando a mulher agitada para trás. Um pouco mais aliviado, ensopado de suor, perguntei se ela falava francês (me agrada mais do que o espanhol). Sim, falava. Descobri que era uma professora de paleontologia da Universidade do Chile, que estava vindo de um congresso na China. “Por que o resto do pessoal foi para o outro carro?”, perguntei. “Não sei”, respondeu. “Vocês não estão juntos?”. “Não, é uma família chilena que conheci no vôo Paris-Roma”. Estava indo para uma conferência em Siene, e pernoitaria num hotel que ela conhecia, próximo à estação Termini.

Descemos em Ostiense, mas não vimos a família chilena. Ou se enganaram, ou tomaram outra informação. Quase meia-noite, e não aparecia viv’alma para nos orientar naqueles corredores subterrâneos. Caminhamos um pouco e encontramos dois policiais que nos aconselharam a pegar um táxi, porque com o nosso monte de bagagem, não ia ser fácil apanhar o metrô. O primeiro “táxi” que encontramos era um furgão, com espaço para a bagagem de um avião. Acertamos o preço até Termini: vinte mil liras, com direito a passar nas proximidades do Coliseu.

No Hotel Siracuse, bem em frente à estação Termini, um dos funcionários pensou que estávamos juntos e começou a preencher a ficha de um apartamento duplo, enquanto discutíamos os preços com outro funcionário. Engano desfeito, cada um pagou, adiantado, oitenta mil liras por um single-room com toilete.

Por volta do meio-dia peguei o trem Roma-Ancona, com conexão para Rimini em Falconara.

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